
O empresário Elon Musk afirmou em tribunal nos Estados Unidos que foi “um tolo” ao financiar a criação da OpenAI, dizendo que acreditava estar apoiando uma organização sem fins lucrativos, e não uma das startups mais valiosas do mundo.
O depoimento foi dado em um tribunal federal na Califórnia, no âmbito de um processo movido por Musk contra o CEO da empresa, Sam Altman, além da própria OpenAI e de sua principal parceira, a Microsoft.
O caso gira em torno da alegação de que houve uma mudança estrutural no modelo da organização, que teria passado de entidade sem fins lucrativos para um negócio voltado ao lucro.
Disputa expõe origem e transformação da OpenAI
Fundada com a proposta de desenvolver inteligência artificial de forma segura e com benefícios amplos para a sociedade, a OpenAI contou com apoio financeiro inicial de Musk, que contribuiu com cerca de US$ 38 milhões (aproximadamente R$ 190 milhões).
Segundo o empresário, o entendimento original era de que a organização manteria caráter não lucrativo.
No tribunal, ele afirmou que os fundadores não poderiam “ter o melhor dos dois mundos”, ao mesmo tempo em que preservavam a imagem de entidade filantrópica e buscavam enriquecimento com a tecnologia.
Documentos apresentados no processo mostram que já em 2017 havia discussões internas sobre a criação de uma estrutura com fins lucrativos.
Musk afirmou ter se oposto à ideia na época, o que acabou levando ao seu afastamento da empresa no ano seguinte.
Parceria com Microsoft no centro do conflito
A entrada da Microsoft como investidora, a partir de 2019, é um dos pontos centrais da disputa.
A empresa aportou bilhões de dólares na OpenAI, viabilizando a expansão de tecnologias como o ChatGPT e consolidando a companhia como líder na corrida global por inteligência artificial.
Para Musk, esse movimento descaracterizou a missão original da organização.
Ele argumenta que uma entidade sem fins lucrativos não deveria ter valuation de mercado. Algo que, segundo mensagens exibidas no tribunal, já girava em torno de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) em 2022.
Altman, por sua vez, sustenta que o modelo híbrido foi necessário para competir em um setor que exige investimentos massivos.
Sem capital privado, afirmou, seria impossível avançar no desenvolvimento de sistemas de IA de ponta.
Debate sobre controle da inteligência artificial
O caso também levanta discussões mais amplas sobre governança e controle da inteligência artificial.
Durante o depoimento, Musk questionou o papel da Microsoft na estrutura da OpenAI e levantou preocupações sobre a concentração de poder tecnológico.
Um dos pontos mencionados envolve cláusulas contratuais relacionadas ao desenvolvimento da chamada inteligência artificial geral, conceito que descreve sistemas capazes de superar habilidades humanas em diversas tarefas.
Impacto além do tribunal
Especialistas avaliam que o processo pode ter efeitos duradouros sobre o setor de tecnologia, especialmente em relação à forma como empresas equilibram missão pública e interesses comerciais no desenvolvimento de IA.
A disputa ocorre em um momento de forte competição global, com gigantes de tecnologia e governos investindo bilhões para liderar avanços estratégicos na área.
Mais do que um embate pessoal entre Musk e Altman, o caso expõe tensões estruturais de um setor que combina inovação acelerada, interesses econômicos e preocupações éticas. E cujo impacto tende a moldar a economia digital nas próximas décadas.