
A inteligência artificial deixou de ser promessa e virou urgência no mercado de trabalho. Foi esse o alerta de Zuca Palladino, managing partner da WPeople North America, ao destacar que a área de IA hoje é a que mais cresce no mundo corporativo. Segundo ele, em entrevista ao programa Mercado da VEJA+TV, a procura por engenheiros de IA disparou mais de 340% nos últimos dois anos, enquanto surgem funções que até pouco tempo nem existiam, como prompt engineering, data rotation e AI responsible. Ao mesmo tempo, vagas mais tradicionais de engenharia de software perderam espaço, com uma redução superior a 15%, refletindo uma mudança clara de perfil e de demanda.
Esse avanço, porém, vem acompanhado de um efeito duro no emprego tradicional. Palladino observa que o mercado corporativo vive uma espécie de contradição: cresce a indústria de IA, mas diminuem as oportunidades de entrada, especialmente em grandes empresas de tecnologia. Das mais de 80 mil demissões em massa registradas no primeiro trimestre de 2026 em gigantes como Amazon e Meta, metade estaria ligada diretamente à automação. “A máquina realiza um processo melhor, não descansa e tem um nível de processamento muito maior”, resumiu, ao explicar que a busca por eficiência tem levado empresas a substituir funções repetitivas e até departamentos inteiros.
Palladino defende que o diferencial humano estará menos no operacional e mais na capacidade de relacionamento, na leitura de contexto e no capital intelectual para avaliar se o que a tecnologia entrega faz sentido ou não. Ele também chama atenção para a importância de desenvolver uma mentalidade empreendedora e até pensar em uma “carreira dupla”. Não por acaso, segundo ele, 72% dos jovens já consideram migrar para profissões técnicas e manuais, numa tentativa de buscar espaço e segurança em um mercado cada vez mais redesenhado pelas máquinas.