
A derrota imposta pelo Senado a Jorge Messias, nesta quarta, adiciona um novo capítulo na biografia política do presidente Lula.
Presidente com três mandatos, o petista tornou-se o primeiro mandatário na história moderna a ter um indicado ao STF preterido pelos senadores.
Logo Lula que sempre se vangloriou de ter apoio incondicional do Legislativo, mesmo sabendo que essa afirmação não era necessariamente verdadeira.
“Diziam que a gente ia ter dificuldade porque o Senado era contra, a Câmara era contra, e nós conseguimos aprovar tudo que a gente queria aprovar”, disse Lula no ano passado.
Não há mais como repetir tal discurso. E parte da culpa pelo insucesso de Messias, barrado nas portas do olimpo, é do próprio Lula que optou por medir forças com Alcolumbre ao preterir Rodrigo Pacheco, desde o início o candidato do presidente do Senado e de boa parte dos políticos do Congresso para integrar a Corte.
Faz parte do processo democrático que o presidente da República escolha o nome do futuro ministro do STF e que o Senado decida se o escolhido pelo chefe do Planalto merece ser nomeado na Suprema Corte. Com uma longa tradição de sabatinas homologatórias, o Senado desmoralizou o suposto rigor no processo de escolhas de magistrados.
Nesta quarta, a partir do alinhamento de diferentes astros no Parlamento, os senadores impuseram a Lula a mais simbólica das derrotas do atual mandato do petista.
Nunca antes na história desse país, como gosta de dizer o petista, um presidente da República, com máquina e orçamento na mão, colheu um fracasso tão grande.
Animal político que é, Lula não se dirá derrotado. Colocará a culpa no próprio escolhido, na conjuntura eleitoral e no falho modelo de “toma lá, dá cá” nesta quadra vivida, com emendas impositivas e baixo poder de barganha do Executivo diante de um Legislativo fortalecido e com cofres cheios.