
A rejeição do nome do advogado-geral da União Jorge Messias, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 29, está sendo comemorada em peso pelos bolsonaristas. É a primeira vez, desde 1894, que isso acontece. O nome de Messias foi barrado por 42 a 34 votos. A projeção do governo era de que eles teriam maioria no Senado.
Provável adversário de Lula nas urnas em outubro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu no X (antigo Twitter): “o Senado fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça. Podemos dizer com confiança que o Brasil tem futuro”. Durante a sabatina, o senador e Messias protagonizaram um embate por conta do 8 de janeiro de 2023.
Por 42 votos a 34, o Senado fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça. Podemos dizer com confiança que o Brasil tem futuro. pic.twitter.com/Y0iulTNGgS
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) April 29, 2026
“O Senado foi soberano e cumpriu hoje seu papel constitucional, demonstrando total independência do Executivo. Uma vitória importante das oposições e um recado claro: definir a composição do Supremo é dever do Senado, que reafirma sua autonomia”, disse a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Um dos que mais articularam contra a indicação de Messias, Carlos Portinho (PL-RJ), disse nas redes que a derrota do AGU no Senado seria o fim da gestão petista. “Dia histórico para o país! Vencemos o STF. Vencemos o governo Lula! Acabou hoje o governo Lula 3 para o bem do país!”, disse no X.
“Chega de STF tão ligado ao Lula. Precisamos de um STF imparcial. Além disso, nada pessoal, mas o ministro Jorge Messias não se posicionou contra o aborto pela asistolia fetal. Do outro lado, criou a ‘Procuradoria da Verdade’, se posicionou contra a constitucionalidade da Lei das Estatais, que foi um grande avanço. As contradições ficaram evidentes hoje na sabatina, e a resposta foi dada”, disse o senador Sergio Moro (União Brasil-PR).
Na sabatina, ele questionou Messias sobre a sua posição a respeito do aborto, diante da ação, que tramita no Supremo, contra a resolução do Conselho Federal de Medicina que proibiu a prática da assistolia fetal mesmo nos casos em que o aborto já é legalmente permitido no Brasil.
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência, disse: “Golaço do Brasil! Um basta à politização do STF”. Recentemente, ele entrou em embate com o decano da Corte, Gilmar Mendes, que pediu a investigação do mineiro por conta de uma animação, com fantoches, publicada por ele nas redes, na qual o ministro e o colega de Corte, Dias Toffoli, são retratados praticando atos de corrupção.