O BNDES desembolsou R$ 40 milhões para financiar a restauração de áreas degradadas da Mata Atlântica no Norte do Rio de Janeiro.

Os recursos fazem parte de um projeto maior, de R$ 151,8 milhões, voltado à recomposição florestal e à geração de créditos de carbono, um mercado em expansão no país.

A iniciativa será executada pela Tree Agroflorestal S.A. e prevê a recuperação de 15 mil hectares nos municípios de Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana e Quissamã, em áreas de preservação permanente e reservas legais.

Projeto avança em meio à pressão por restauração ambiental

A medida ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre países para ampliar a recuperação de ecossistemas degradados.

Segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, restam cerca de 12% da cobertura original do bioma, um dos mais biodiversos e também mais devastados do país.

Nos últimos anos, o Brasil tem buscado reposicionar sua política ambiental, com foco não apenas na Amazônia.

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Há também investimentos em outros biomas estratégicos, como a Mata Atlântica, onde a fragmentação florestal afeta diretamente a disponibilidade de água e a biodiversidade.

Crédito de carbono vira eixo central do modelo

Diferentemente de programas tradicionais de reflorestamento, o projeto financiado pelo banco público está estruturado para gerar créditos de carbono, certificados que podem ser vendidos a empresas interessadas em compensar emissões.

Esse modelo tem ganhado tração global.

Relatórios recentes de consultorias como McKinsey e BloombergNEF apontam que o mercado voluntário de carbono pode movimentar dezenas de bilhões de dólares na próxima década, embora ainda enfrente questionamentos sobre integridade e padronização.

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No caso brasileiro, o avanço desses projetos também depende da regulamentação do mercado de carbono, que ainda está em discussão no Congresso.

Impacto econômico e geração de empregos

Além do componente ambiental, o projeto prevê a criação de cerca de 800 empregos diretos e indiretos, sobretudo em atividades como viveiros de mudas, coleta de sementes e manutenção florestal.

A estratégia se alinha ao conceito de bioeconomia, que busca transformar ativos naturais em fonte de renda sustentável, especialmente em regiões com histórico de degradação ambiental e baixa diversificação econômica.

Fundo Clima ganha protagonismo

O financiamento vem do Fundo Clima, um dos principais mecanismos federais para apoiar projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

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Nos últimos anos, o fundo voltou ao centro da política pública após períodos de baixa execução.

O banco afirma que iniciativas como essa fazem parte de uma estratégia mais ampla para consolidar o Brasil como líder global em restauração florestal.

Desafio é escalar e garantir resultados

Especialistas apontam, no entanto, que o principal desafio desses projetos está na escala e na permanência dos resultados.

A restauração de ecossistemas complexos, como a Mata Atlântica, exige décadas para atingir maturidade ecológica, além de monitoramento contínuo.

Também há debate sobre a efetividade dos créditos de carbono gerados por reflorestamento, especialmente em relação à medição real da captura de carbono e ao risco de reversão, como incêndios ou mudanças no uso da terra.



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