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O rei Charles III e a rainha Camilla chegam aos Estados Unidos nesta segunda-feira, 27, para uma visita de Estado de quatro dias, em meio a tensões diplomáticas entre Londres e Washington e após um atentado contra o presidente Donald Trump abalar o país.

A visita, que marca os 250 anos da independência americana do Reino Unido, começa com uma reunião privada com Trump, autoproclamado fã da família real, e inclui um discurso ao Congresso e um jantar luxuoso na Casa Branca.

Após a passagem por Washington, o casal real seguirá para Nova York, onde homenageará as vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 e se encontrará com autoridades locais, incluindo o prefeito Zohran Mamdani. A viagem termina em Virgínia, com uma reunião do rei com pessoas envolvidas em trabalhos de conservação, uma homenagem aos seus cinquenta anos de ativismo ambiental.

A visita do monarca britânico conta com um esquema de segurança reforçado, após a frustrada tentativa de assassinato de Trump durante o jantar anual dos correspondentes da Casa Branca no fim de semana. O embaixador britânico em Washington, Christopher Turner, afirmou que “todas as medidas de segurança apropriadas foram tomadas” para garantir a proteção de Charles e Camilla, enquanto o presidente disse que o rei “estará muito seguro”.

É a primeira visita de Estado de um monarca britânico aos Estados Unidos desde 2007, quando Elizabeth II realizou sua última viagem oficial ao país. Depois de quatro dias lá, os monarcas seguirão para as Bermudas, na primeira visita de Charles a um território britânico ultramarino desde sua coroação, em setembro de 2022.

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Relação abalada

A visita do rei Charles ocorre em meio a tensões na relação entre os dois países, que, segundo autoridades, atravessa um de seus momentos mais delicados desde a Crise de Suez, em 1956, quando a nacionalização do canal pelo Egito levou Reino Unido, França e Israel a intervir militarmente. Os Estados Unidos, contrários à ação, pressionaram os britânicos a se retirarem, o marco do fim do seu status de superpotência imperial.

No início de março, Trump afirmou que é “triste” ver a relação histórica entre o Reino Unido e os Estados Unidos se deteriorar, depois que o governo britânico não permitiu que Washington usasse bases aéreas britânicas para realizar ataques contra o Irã em meio à guerra no Oriente Médio.

“Era a relação mais sólida de todas. E agora temos relações muito fortes com outros países da Europa”, afirmou o presidente, acrescentando que o laço “não é mais como antes”.

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Embora as forças americanas tenham sido posteriormente autorizadas a utilizar bases britânicas para realizar o que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, chamou de ações “defensivas”, Trump criticou repetidamente o líder britânico, dizendo que ele “não era Winston Churchill” e que havia arruinado a aliança histórica.

Apesar do presidente americano ter aliviado suas críticas nos últimos dias, um e-mail interno do Pentágono descrevendo opções de punições contra aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sugeriu que Washington poderia deixar de apoiar a reivindicação britânica às Ilhas Malvinas, que eles disputam com a Argentina, como retaliação pela falta de apoio na guerra ao Irã, de acordo com a agência de notícias Reuters.

A expectativa do governo Starmer, no entanto, é de que a visita contribua para fortalecer o futuro da chamada “relação especial” entre os dois países.



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