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Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta segunda-feira, 27, seis integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) por infiltração em prefeituras paulistas para lavagem de dinheiro do crime organizado (tráfico de drogas, principalmente). Foram cumpridos também 22 mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou o bloqueio de 513 milhões de reais em bens e ativos ligados aos investigados na operação Contaminatio.
De acordo com informações da Polícia Civil, a operação é conduzida pela pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. As prisões e buscas ocorreram nas cidades de São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto e Santos. Fora do território paulista, alvos foram identificados em Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), Brasília e Londrina (PR). “O que se apurou foi uma estrutura sofisticada, que buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar em esferas do Poder Público para potencializar esses ganhos e dar aparência de legalidade aos recursos”, afirmou o delegado Fabrício Intelizano.
Modus Operandi da facção
Investigadores da Polícia Civil paulista analisaram celulares e computadores apreendidos no âmbito da Operação Decurio, deflagrada contra o crime organizado em 2024 e bloqueou na época 8 bilhões de reais dos investigados. A partir daquele momento, os aparelhos eletrônicos vinculados aos criminosos “revelaram complexo sistema de movimentação financeira ilícita” para lavagem de dinheiros de diversas atividades criminosas.
“Segundo a apuração, a quadrilha teria avançado na criação de um ‘núcleo político’, com o objetivo de acessar recursos públicos e ampliar sua atuação. Entre as estratégias, estava a tentativa de influenciar eleições, com apoio ou financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização. Também foi identificado o envolvimento de pessoas ligadas a administrações municipais, incluindo ao menos uma servidora comissionada que mantinha relação com integrante de alto escalão da organização criminosa”, aponta a apuração policial.
Fintech para operação
Ainda segundo a investigação, a organização criminosa tentou infiltrar uma fintech criada por eles para operar serviços financeiros de prefeituras, “como emissão de boletos e gestão de receitas municipais”, o que “permitiria, na prática, a ‘limpeza’ de dinheiro oriundo do crime dentro de operações oficiais, utilizando o fluxo financeiro público”.