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O mercado global de modelos vive uma contradição. Ao mesmo tempo em que projeta crescimento e pode movimentar cerca de R$ 211 bilhões até 2030, a indústria enfrenta um problema estrutural: a alta rotatividade de talentos e a dificuldade de sustentar carreiras no longo prazo.

Dados compilados pela plataforma Gitnux, a partir de fontes como Vogue, Euromonitor e IMD, mostram que o setor segue aquecido, impulsionado por publicidade, redes sociais e expansão de marcas globais.

Ainda assim, o ciclo de sucesso das modelos continua curto: em média, entre quatro e cinco anos no auge.

Crescimento puxado por marcas e redes sociais

A expansão do setor acompanha a transformação da indústria da moda, que passou a depender cada vez mais de imagem, influência digital e presença global.

Plataformas como Instagram e TikTok ampliaram a demanda por novos rostos e perfis diversos, acelerando a renovação constante do casting.

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Esse movimento ajudou a multiplicar o número de agências, mais de 1.200 escritórios ativos no mundo, e a criar um fluxo contínuo de novos talentos, especialmente em mercados emergentes como a América Latina.

Rotatividade elevada pressiona ‘new faces’

O mesmo mecanismo que impulsiona o crescimento também gera instabilidade.

Segundo a Gitnux, cerca de 15 mil modelos que surgiram como “new faces” em 2022 correm risco de deixar o mercado já nos próximos anos, refletindo uma lógica de substituição rápida.

A taxa de rotatividade nas agências chegou a quase 28% em 2023, um patamar considerado elevado mesmo para padrões de indústrias criativas.

Na prática, isso significa carreiras curtas, dificuldade de planejamento financeiro e perda de capital humano para o setor.

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Relatórios de consultorias como a McKinsey & Company, que analisam a indústria da moda global, já apontam que a pressão por novidade constante tem comprimido ciclos de carreira e aumentado a competição entre profissionais.

Modelo de negócio baseado em “descartabilidade”

Especialistas do setor avaliam que o problema não está na falta de talentos, mas na forma como a indústria é estruturada.

A lógica dominante ainda prioriza descobertas rápidas e resultados imediatos, em vez de desenvolvimento de longo prazo.

É nesse ponto que surgem iniciativas para reposicionar carreiras.

Agentes e executivos têm apostado em estratégias que tratam modelos como marcas, combinando gestão de imagem, presença digital, contratos internacionais e diversificação de receitas.

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Tentativas de ampliar longevidade

Casos de carreiras mais duradouras ainda são exceção, mas indicam uma mudança possível.

Modelos que conseguem transitar entre passarela, publicidade e redes sociais tendem a prolongar sua relevância.

A tendência acompanha um movimento mais amplo da moda global, que começa a valorizar diversidade etária e autenticidade, ainda que de forma desigual entre mercados e marcas.

América Latina ganha espaço

A América Latina tem se consolidado como um polo de novos talentos, com crescimento estimado em cerca de 9% na década.

A região se beneficia da busca por diversidade e da expansão de campanhas globais.

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Agências internacionais como a IMG Models ampliaram sua atuação na região, conectando modelos locais a mercados como Europa e Ásia.

Desafio estrutural

Apesar do crescimento, o setor ainda precisa resolver seu principal impasse: como equilibrar a demanda por novidade com a construção de carreiras sustentáveis.

Sem mudanças no modelo de gestão, a tendência é de continuidade do ciclo de alta rotatividade, um paradoxo para uma indústria bilionária que depende, cada vez mais, de identidade, consistência e conexão com o público.



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