A busca por liderança global em biocombustíveis marcou o último painel do VEJA Fórum de Energia 2026, realizado nesta segunda-feira, 27 de abril, no hotel The Westin, no Itaim Bibi, em São Paulo. Promovido por VEJA e VEJA NEGÓCIOS, o evento reuniu autoridades e executivos para discutir os caminhos da segurança energética no país, com foco em previsibilidade, competitividade e transição da matriz. No encerramento, o debate girou em torno do papel estratégico do Brasil na produção de combustíveis renováveis e dos desafios para reduzir a dependência externa.

Vice-presidente do Grupo Potencial, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, Carlos Eduardo Hammerschmidt defendeu que o Brasil reúne condições únicas para avançar na independência energética. “O Brasil precisa garantir, nos próximos anos, a soberania da sua matriz energética”, afirmou. O país ainda mantém uma dependência relevante de combustíveis fósseis importados. “O Brasil importa cerca de 17 bilhões de litros de combustíveis fósseis por ano, com custo de 8,5 bilhões de dólares e elevada exposição geopolítica”, diz Hammerschmidt.

Na avaliação do executivo, a principal vantagem competitiva brasileira está na combinação entre produção agrícola e capacidade industrial. “O Brasil reúne capacidade de produção, inovação e tecnologia suficientes para avançar na independência energética”, disse. Ele destacou que essa base permite ao país desenvolver soluções internamente, sem depender de fornecedores externos. 

Um dos pontos centrais da apresentação foi a integração entre agronegócio e energia. “Biocombustíveis e agronegócio são agendas indissociáveis na matriz energética brasileira”, disse. Segundo ele, essa combinação tem potencial para impulsionar o crescimento econômico e ampliar a geração de renda no país. 

O executivo também defendeu uma visão mais ampla sobre os custos do setor, argumentando que os biocombustíveis contribuem para reduzir o chamado custo Brasil quando analisados ao longo de toda a cadeia produtiva. Para ele, a discussão não deve se limitar ao preço final, mas considerar ganhos logísticos, industriais e de eficiência. “É necessário analisar o setor dentro de uma lógica de economia circular”, defende. 

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O debate incluiu ainda o papel das novas tecnologias na transição energética. Hammerschmidt citou o avanço do hidrogênio verde como uma resposta global à instabilidade no fornecimento de gás natural.

No campo dos investimentos, o executivo destacou a ampliação da capacidade produtiva no país. Segundo ele, o Grupo Potencial prevê investir 10 bilhões de reais em biocombustíveis até 2030, em projetos que incluem produção integrada, infraestrutura logística e novas plantas industriais. O objetivo é aumentar a produção e reduzir a dependência de importações, ao mesmo tempo em que amplia a participação do Brasil no mercado global de energia limpa.

Ao encerrar a participação, Hammerschmidt afirmou que o país está diante de uma janela de oportunidade para consolidar sua posição no setor. “O Brasil reúne condições para assumir protagonismo na agenda global de biocombustíveis”, disse. Segundo ele, o avanço dessa agenda depende de coordenação entre setor produtivo, governo e regulação, em um momento em que a segurança energética volta ao centro das discussões globais.



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