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Presidente do Progressistas, o senador Ciro Nogueira negocia com Flávio Bolsonaro o apoio da federação que seu partido formou com o União Brasil à chapa presidencial do PL já no primeiro turno. Os dois trataram do assunto há cerca de duas semanas em uma conversa na casa do cacique do Centrão em Brasília, que fica do outro lado da rua da sede da produtora que será o QG eleitoral do “Zero Um” na campanha.
Em declarações recentes, Ciro Nogueira disse que a aliança será sacramentada se Flávio Bolsonaro apostar na moderação e se afastar da extrema direita, buscando minimizar a importância de um quadro de suas fileiras ocupar a vaga de vice ao lado do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em público, garante que a chance de ele ser esse candidato é “zero”, colocando à frente nomes como o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura.
Em conversas reservadas, no entanto, Ciro confidenciou há cerca de duas semanas que ainda sonha com a vice na chapa de oposição. Um dos trunfos seria sua capacidade de furar a bolha petista no Nordeste, região que deu a folga necessária a Lula na votação para ganhar a eleição em 2022.
A aspiração do cacique do Centrão tem origem na articulação, nos últimos meses de 2025, para assegurar o segundo posto na chapa escolhida por Jair Bolsonaro, que, se dependesse do parlamentar, teria sido encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).
A aliados, o chefe do Progressistas contou ter ouvido do próprio capitão, durante uma visita em outubro do ano passado ao ex-presidente na prisão domiciliar, que ele o havia selecionado para a missão vice-presidencial, com Tarcísio no posto principal. Dois meses depois, na esteira de uma conversa com seu pai (à época preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília) em dezembro, Flávio Bolsonaro anunciou que seria o responsável por “dar continuidade” ao “projeto de nação” da família.
Seja qual for o espaço reservado a Ciro e à federação União Progressista em seu projeto presidencial, Flávio Bolsonaro tem motivos de sobra para atrair o apoio formal do grupo político do Centrão. A federação tem hoje seis governadores no cargo, 98 deputados federais, dez senadores e doze pré-candidatos a governos estaduais em outubro, além de quase 1 bilhão de reais em dinheiro do fundo eleitoral e a maior fatia do tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.