
O faturamento do Brasil com as vendas de petróleo, atualmente o maior produto de sua pauta de exportação, para o resto do mundo está disparando desde que o início do conflito no Irã, no final de fevereiro, causou interrupções no fornecimento do produto a partir do Oriente Médio e fez o preço do barril dar um salto. A cotação do barril saiu da faixa dos 70 dólares, no ano passado, para perto dos 100 dólares atualmente.
Nas duas primeiras semanas de abril, até a segunda-feira, 13, a receita do país com as exportações de petróleo dobrou na comparação com abril do ano passado, consideradas a média das transações por dia útil, já que o mês atual ainda não está fechado. O Brasil faturou, em média, 436,1 milhões de dólares por dia com suas vendas de petróleo ao exterior nessa primeira metade do mês. É 101% mais que a média de abril em 2024, que foi de 216,9 milhões de dólares. Os dados fazem parte das informações preliminares da balança comercial divulgadas semanalmente pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
O avanço foi impulsionado tanto pelo aumento nos preços quanto no maior volume exportado, reflexo da maior procura por fornecedores alternativos por parte dos países, em especial da Ásia, que dependem do petróleo embarcado pelos grandes produtores do Oriente Médio. Na média diária de abril, o Brasil exportou 70% mais toneladas de petróleo do que na média do mesmo mês um ano antes, de acordo com o Mdic.
Os avanços intensificam movimento que já tinha sido visto em março. No mês passado, as exportações brasileiras de petróleo tiveram um aumento de 30% na comparação com o mesmo mês em 2025, somando 1,17 bilhões de dólares.
O petróleo ultrapassou a soja e já é, atualmente, o principal produto exportado pelo Brasil. Em 2025, ele rendeu 44,5 bilhões de dólares à balança comercial brasileira, o equivalente a 12,8% do total exportado no ano (348,3 bilhões de dólares). No consolidado do primeiro trimestre de 2026, o petróleo respondeu por 15% de tudo o que o país exportou no período.