Um estudo recente publicado na revista Food Research International por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) apontou a presença de compostos potencialmente carcinogênicos em alimentos altamente consumidos no cotidiano da população.

Foram analisados produtos como pães, biscoitos e farinha de trigo. Dentre eles, a pesquisa mostrou que o pão branco foi um dos alimentos que mais contribuiu para a exposição às substâncias contaminantes, como os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs).

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. A autora da pesquisa, Gloria Guizellini, alerta que o consumo frequente desses alimentos pode levar ao acúmulo dessas substâncias no organismo humano ao longo da vida, mesmo que em baixas concentrações.

“No caso do pão branco, a ingestão diária faz com que pequenas quantidades de HPAs se somem ao longo do tempo, aumentando sua contribuição para a exposição total”, explica Gloria. Ainda assim, os pesquisadores recomendam mudanças simples na dieta e nos hábitos alimentares, como a adoção de práticas mais conscientes e priozar metódos de preparo mais seguros.

Estudo revelou presença de contaminantes

A pesquisa da USP investigou a presença de quatro compostos em 74 produtos como pães, biscoitos e farinhas de trigo. As análises foram feitas utilizando uma técnica que separa, identifica e mede substâncias químicas presentes em uma mistura, chamada de cromatografia líquida de alta eficiência.

Os quatro hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) foram escolhidos pois são reconhecidos internacionalmente pelo potencial carcinogênico e são marcadores padrões de contaminação dessas substâncias nos alimentos.

Observando os HPAs em conjuntos, cerca de 41% das amostras de pão e 81% das amostras de biscoitos excederam o limite considerado seguro pela regulamentação da União Europeia, que foi usada como base nos testes pois o Brasil ainda não possui legislação para os compostos.

O que são HPAs

Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos fazem parte de um grupo de compostos químicos que são formados por estruturas que dão a eles grande estabilidade e durabilidade no ambiente. Eles são conhecidos por permanecerem por um bom tempo no ar, no solo e nos alimentos.

Esses contaminantes podem chegar até a comida por meio da contaminação ambiental nos grãos de trigo ou pela fumaça gerada pela queima da madeira e pelas altas temperaturas durante o processamento ou preparo dos alimentos.

Os HPAs causam impacto relevante à saúde humana, em especial ao sistema digestivo. Por conta de sua estrutura, eles são facilmente absorvidos pelo corpo e são transportados pela corrente sanguínea até o fígado, estômago e intestino, onde podem causar alterações celulares associadas ao desenvolvimento de câncer.



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