Duas aeronaves militares americanas foram abatidas pelo Irã nesta sexta-feira (3), demonstrando que o país ainda possui capacidade de reação militar significativa. Uma das aeronaves era um caça F-15 com dois tripulantes, sendo que um deles foi resgatado pelos Estados Unidos, mas não há informações sobre seu estado atual. O outro tripulante ainda não foi localizado, nem pelos militares americanos nem pelas forças iranianas.

Segundo informações divulgadas pela mídia iraniana, foi anunciada uma recompensa para quem capturasse a tripulação da aeronave. Imagens geolocalizadas pela CNN indicam que o caça teria caído em uma região montanhosa no sudoeste do país, próximo à planície petrolífera e à fronteira com o Iraque.

Além do F-15, a mídia do Irã reportou que uma outra aeronave americana, um A-10 Warthog, caiu nas águas do Golfo Pérsico após ter sido alvejada por sistemas de defesa aérea iranianos, próximo ao Estreito de Hormuz. Neste caso, o piloto conseguiu se ejetar e foi resgatado.

Para Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), o ocorrido demonstra que “o custo da guerra apareceu para Donald Trump“.

O especialista pontua que caso Teerã localize o militar americano ainda desaparecido, para além de simbolizar uma vitória para os iranianos, “é uma grande moeda de troca, que vai pressionar ainda mais Trump perante a opinião pública americana”.

 

A avaliação vai de acordo com o que diz Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, que explica o impacto do desgaste que Trump pode sofrer com os desenrolares dessa guerra. “O Irã não precisa ganhar militarmente ds Estados Unidos. Precisa de pequenas vitórias que tornem o custo político e economico para os Estados Unidos“.

Contradição com declarações de Trump

O incidente contradiz declarações recentes de Trump, que afirmou na última quarta-feira (1) que o Irã já não tinha mais equipamentos antiaéreos e que os radares do país tinham sido completamente destruídos. O ex-presidente americano também havia dito que os mísseis iranianos tinham sido destruídos ou esgotados.

Entretanto, relatórios de inteligência indicam que cerca de metade dos drones e dos lançadores de mísseis do Irã seguem intactos.

Um dos desafios para os Estados Unidos é que o Irã tem levado lançadores para o subsolo, escondendo-os em túneis e cavernas, mas ainda mantendo-os operacionais.

Segundo especialistas militares, embora as capacidades da Marinha Oficial do Irã tenham sido praticamente destruídas, a Força Naval ligada à Guarda Revolucionária, que tem capitaneado o bloqueio iraniano sobre o Estreito de Hormuz, ainda conservaria metade de suas capacidades.

O professor da NYU Shanghai e da FDC Rodrigo Zeidan explica que essa estratégia iraniana de “vencer pelo cansaço”, apostando nos desgastes que a guerra é capaz de gerar, pode dar certo, encurtando o período de conflito.

Este cenário pode aumentar a possibilidade de uma operação terrestre americana, que já vem sendo considerada com o deslocamento de unidades de fuzileiros navais e paraquedistas para a região.



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