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O elefante-marinho “Leôncio” foi batizado assim que chegou às praias do nordeste brasileiro e começou a ser monitorado por órgãos ambientais. O animal estava em rota migratória, provavelmente vindo de colônias reprodutivas na Argentina ou Uruguai. Parou no litoral alagoano, em 11 de março, para mudança de pele. Porém, toda vez que saía da água para o processo natural, encontrava dificuldades, devido às dezenas de curiosos, dispostos a perturbar o sossego do animal. Visivelmente incomodado, Leôncio voltava para água. Percorreu diversas praias até que foi brutalmente morto por agressões humanas. O corpo do animal foi encontrado em Jequiá da Praia, em Alagoas.

A necropsia confirmou que Leôncio foi vítima de violência severa, pois teve múltiplos ossos quebrados e ferimentos profundos, ocorridos enquanto estava vivo. Nesta sexta-feira, 3, o Instituto Microbiota, que acompanhou o animal desde a chegada –pois o Nordeste não é uma parada rotineira dessa espécie –, manifestou pesar pelo ocorrido pelas redes sociais. Ainda agradeceu a ajuda das prefeituras e de outros órgãos ambientais, como o Ibama, que ajudaram a proteger o animal em cada uma de suas paradas nas praias. Todo cuidado não foi suficiente. 

A necrópsia provou crime ambiental e como tal será investigado. Em novembro de 2025, houve aprovação de um projeto para aumentar as penas para crimes contra a fauna silvestre (incluindo matança), podendo passar para reclusão de 1 a 4 anos (ou 2 a 5 anos dependendo da interpretação do tráfico/caça), substituindo a detenção de menor potencial ofensivo.

Os elefantes-marinhos são ótimos mergulhadores. Ficam até 80 minutos sem respirar. Costumam frequentar apenas águas geladas e ficam longe da costa. De novembro a março, a espécie passa pela chamada muda catastrófica anual, onde troca toda a pele e pelagem de uma vez só. Esse processo leva de 1 a 4 semanas, durante as quais o animal jejua e permanece na areia para descansar – era exatamente o que Leôncio queria. Mas a mesma maldade que levou à morte do cachorro Orelha, no início do ano, em uma praia de Florianópolis, vitimou o simpático elefante-marinho. De Norte a Sul, o país, nessas horas, mostra o que tem de pior: ignorância.



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