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O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSDB), está a poucas horas de mostrar se vai trair ou não algum dos seus aliados mais importantes dos últimos tempos, com quem firmou acordos importantes que beneficiaram sua família.

Com o prazo final para a desimcompatibilização do cargo de prefeito — regra que precisa seguir se quiser concorrer a qualquer outro cargo nas eleições de 2026 — chegando ao final neste sábado, 4, ele terá de tornar público se vai cumprir todos os acordos que firmou ou se faltará com a palavra em algum deles.

Caldas se tornou prefeito em 2020 pelo PSB e foi reeleito em 2024 com a expressividade de 83,25% dos votos pelo PL de Jair Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto. Na ocasião de sua reeleição, ele firmou o primeiro dos acordos: convidou o então senador Rodrigo Cunha (PODE-AL) para ser seu vice, de modo a deixar a vaga no Senado para a suplente, Eudócia Caldas (PL-AL), que é a mãe de JHC. Para convencer Cunha, JHC lhe prometeu que deixaria o comando da prefeitura até abril de 2026 (tornando-o o novo prefeito da capital alagoana), quando entraria na disputa por outro cargo maior.

No entanto, apesar das pesquisas de intenção de votos apontarem grande competitividade de JHC para as urnas de 2026, tanto para o governo do estado quanto para o Senado, ele firmou novos acordos com os dois maiores caciques da política local, o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), em um arranjo que envolveu também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para Lula indicar Marluce Caldas (tia de JHC e cunhada da senadora Eudócia) a uma vaga do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ficou acertado entre eles que JHC não iria se candidatar a nada em 2026, de forma a abrir caminho para o ex-ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), na disputa pelo governo do estado, e também a não atrapalhar as chances de eleição de Lira para o Senado e reeleição de Renan Calheiros.

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Já tendo ficado em primeiro lugar no ranking de prefeitos de capitais mais bem avaliados do Brasil, JHC só teria uma única opção para não trair seus aliados: deixar a prefeitura e ficar sem mandato, ou, no máximo, concorrer a deputado federal — ideias que são dadas como praticamente improváveis por causa de sua alta aprovação popular entre os alagoanos.

O acordo com Lula, Lira e os Calheiros chegou a envolver até mesmo o presidente nacional do PSB, o prefeito do Recife, João Campos, que deu a ideia de que JHC precisaria sair do PL e voltar para o PSB. Se ficasse filiado na sigla socialista, Campos teria o controle sobre a possibilidade de lançamento de qualquer enventual candidatura dele. No entanto, após meses, Caldas terminou se filiando ao PSDB, partido que vem se reestruturando em todos os estados, com o objetivo de conquistar novas lideranças com mandato e recuperar seu passado glorioso da política.

JHC já exonerou uma série de funcionários da prefeitura, preparando-se para deixar o mandato e abrir caminho para Rodrigo Cunha no comando da cidade. Segundo a coluna Radar de VEJA, ele se prepara para trair os Calheiros e Lula, entrando na disputa pelo governo do estado. Resta aguardar os próximos passos para descobrir qual será, de fato, sua decisão e se haverá contragolpes.



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