
A advogada e influencer argentina Agostina Páez, acusada de racismo em um bar em Ipanema, posou para uma foto com a senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei, nesta quinta-feira, 2, após retornar a Buenos Aires. Na legenda, Paéz escreveu: “Obrigada por tudo”. Para deixar o Brasil, ela teve de pagar uma caução equivalente a 60 salários mínimos (cerca de R$ 97 mil). A influencer continuará a responder pelo crime, ainda que no seu país de origem.
Bullrich, que chegou a disputar as eleições de 2023, também publicou um vídeo com Agostina. A senadora afirmou que “houve um grande trabalho dos advogados, o apoio incondicional da família e o suporte do governo” para que pudesse voltar para a Argentina, acrescentando: “E sim, apesar de algumas mãos sujas e interessadas, ela voltou. Hoje, só há uma coisa importante: ela está aqui”.
Ao chegar na capital argentina, a advogada afirmou a jornalistas que passou por um “calvário”, embora tenha reconhecido que está arrependida de “ter reagido desta maneira” no bar. Páez disse que não é racista e culpou a severidade das leis brasileiras, orientando a turistas que conheçam as normas do país antes de viajarem.
“Há uma lei no Brasil que é muito severa”, alegou. “Nunca contaram a minha parte da história e sou inimiga pública no Brasil.”
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Entenda o caso
O julgamento da influencer teve início no dia 24 de março. A defesa e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) concordaram que, se condenada, ela cumprirá a pena na Argentina. No Brasil, o crime de injúria racial é equiparado ao de racismo, com pena de prisão de 2 a 5 anos, além do pagamento de uma multa. Ela chegou a ser presa no dia 6 de fevereiro, mas liberada horas depois. Mais tarde, foi submetida a medidas cautelares como retenção de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país.
Na terça-feira 31, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) autorizou que Páez retornasse à Argentina sob o pagamento da caução. Além disso, a influencer deverá manter o endereço e contatos atualizados por meio de seu advogado para receber as intimações judiciais. O relator considerou que ré é primária, tem profissão definida e colaborou no desenrolar do processo.
Segundo a denúncia, a turista se envolveu em uma discussão com o gerente do bar, motivada por um suposto erro no pagamento da conta, em 14 de janeiro. A vítima das ofensas, então, foi verificar as imagens de câmeras de segurança e solicitou que a mulher permanecesse no local até a situação ser resolvida. Os xingamentos racistas, então, começaram e foram gravados pelo funcionário.
A advogada chamou trabalhadores do bar de “negro” no sentido pejorativo e, mais tarde, ao deixar o local, falou “mono” (macaco, em espanhol). Um vídeo mostra o momento em que ela aparece, já na rua, imitando os sons e movimentos de um macaco, enquanto uma outra mulher tenta levá-la embora.