A escalada das tensões no Oriente Médio tem pressionado o mercado global de petróleo e provocado efeitos diretos sobre a indústria de plásticos. Com a alta do barril, que saiu de cerca de US$ 60 para níveis próximos a US$ 100, o custo da resina virgem aumentou e abriu espaço para materiais reciclados ganharem competitividade.
Com a valorização da commodity, empresas do agronegócio passaram a buscar alternativas menos dependentes de insumos fósseis. Nesse cenário, a resina reciclada deixa de ser apenas uma escolha ambiental e passa a ter vantagem também do ponto de vista econômico.
A Ambiental, empresa da JBS especializada em gerenciamento de resíduos sólidos, por meio da sua unidade de reciclagem, observa uma mudança no comportamento do mercado. Segundo Thuany Taves, diretora da Ambiental, o cenário internacional tem acelerado essa transição.
“O aumento do preço do petróleo impacta diretamente o custo da resina virgem. Com isso, a resina reciclada passa a se tornar mais competitiva e mais atrativa para a indústria, não apenas pelo aspecto ambiental, mas também econômico”, afirma.
A mudança reduz barreiras históricas para a adoção do material reciclado. Empresas que antes resistiam por questões técnicas ou pela diferença de preço começam a rever suas estratégias diante do novo cenário de custos.
“Existe um movimento claro de maior abertura do mercado. Muitas empresas que ainda tinham dúvidas ou não viam viabilidade econômica passam a considerar o reciclado como uma alternativa real dentro dos seus processos produtivos”, diz Taves.
Além do impacto nos preços, a instabilidade geopolítica também traz incertezas sobre o abastecimento de matéria-prima virgem. A dependência de cadeias globais e de commodities sujeitas a volatilidade reforça a busca por soluções mais previsíveis.
“A resina reciclada tem uma vantagem importante nesse contexto, porque está baseada em uma cadeia local. Estamos falando de matéria-prima que já está disponível no mercado interno, o que reduz a exposição a oscilações externas e aumenta a segurança de fornecimento”, explica.
Outro fator que contribui para o avanço do material reciclado é a diversificação da demanda. Setores como construção civil, indústria de alimentos e bens de consumo ampliam o uso desse tipo de resina, fortalecendo a escala de produção e a competitividade.
Para a diretora, o momento atual representa uma inflexão no setor. “A combinação de pressão de custos com a agenda de sustentabilidade cria uma oportunidade única. O reciclado deixa de depender apenas de incentivos e passa a competir de forma mais equilibrada com a resina virgem”, afirma.
A tendência é de continuidade desse movimento enquanto persistirem as tensões internacionais e a volatilidade do petróleo.