Em um momento em que o audiovisual brasileiro volta o seu olhar para a pluralidade de experiências e linguagens que emergem de diferentes estados do Nordeste, Allan Souza Lima, 40, tem se firmado como um dos nomes que atravessam esse movimento por dentro.

Na TV, no cinema autoral ou na direção, a trajetória do ator pernambucano se liga à narrativas enraizadas em territórios específicos, que se expandem em direção a questões mais universais. 

 

É nesse contexto que se insere a segunda temporada de “Cangaço Novo”, com estreia prevista para o dia 24 de abril, no Prime Video. De volta ao papel do protagonista Ubaldo, ele encara o desafio de revisitar um personagem já incorporado no imaginário do público, desta vez atravessado por uma mudança decisiva.

“O que me instiga é revisitar esse universo a partir de um novo estado do personagem. O Ubaldo chega nessa segunda fase com uma sede de vingança muito clara, e isso já desloca completamente o ponto de partida”, afirma em entrevista à CNN Brasil.

A continuidade, segundo ele, não passa pela repetição, mas por um mergulho mais profundo. “Quando um personagem já tem um peso no imaginário, o desafio é justamente não repetir, mas aprofundar. É explorar as contradições, tensionar esse lugar que ele ocupa e entender como esse novo impulso interno transforma as escolhas, os conflitos e a forma como ele se relaciona com o mundo”, acrescenta.

A construção desse tipo de personagem, marcada por tensões internas e camadas simbólicas, dialoga com um modo de fazer cinema que o artista reconhece em diretores como Kleber Mendonça Filho, com quem trabalhou em “Aquarius”, e nome por trás de “O Agente Secreto”.

“Ele é um intelecto vivo. Existe uma clareza e uma inteligência no modo como ele constrói a cena, e isso impacta diretamente o trabalho do ator, mesmo que nem sempre seja explícito”, comenta.

A experiência reforça uma visão de atuação integrada a um pensamento mais amplo de linguagem, em que cada escolha se insere numa estrutura maior.

Essa mesma preocupação aparece em “Poeta Bélico”, primeiro longa dirigido por Allan, que amplia sua atuação para além das telas. Com filmagens previstas para o início do próximo ano, na Paraíba, o filme parte do encontro entre dois personagens, um guerreiro e um poeta, concebidos como forças em tensão, e conta com co-direção de Fátima Toledo, preparadora de elenco por trás de obras como “Tropa de Elite” e “Marighella”.

Nos papéis centrais, Alejandro Claveaux e Renato Góes se somam à proposta, que conversa, em certa medida, com uma ideia de via crucis contemporânea, retratado como um percurso marcado por provações, embates internos e dilemas éticos:

“A relação entre o poeta e o guerreiro parte dessa ideia quase simbólica de polos opostos, o bélico e o espiritual, o mundano e o mais elevado. Eles funcionam como um yin e yang dentro da narrativa. O interesse nunca foi cair num maniqueísmo simples. Pelo contrário, é entender como esses dois lados se encontram. O guerreiro tem dentro de si sensibilidade, e o poeta não está isento de conflito ou violência”.

No horizonte, na sétima arte, o trabalho em frente às câmeras não ficou em segundo plano, além das especulações sobre a atuação na próxima novela das 9 da Globo, estão previstos os lançamentos dos filmes “Lusco-Fusco” e “Talismã”, ambos já gravados.

No primeiro, dirigido por Bel Bechara e Sandro Serpa, Allan integra um elenco que reúne nomes como Sandra Corveloni e Amandyra, vivendo Matias, figura central em uma relação abusiva que estrutura a narrativa.

Já em “Talismã”, de Thais Fujinaga, o ator se envolve em um projeto que tem a dança como elemento narrativo, exigindo uma construção baseada no corpo e no gesto. 



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *