A chegada da Páscoa traz consigo a onipresença dos ovos de chocolate e bombons, transformando a data no período mais doce do ano. No entanto, o que muitos consumidores ignoram é que o fígado, órgão responsável pela metabolização de substâncias no corpo, é o primeiro a sentir o impacto dos excessos. O consumo concentrado de produtos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras saturadas, pode desencadear um esforço metabólico além do habitual, acendendo um alerta para doenças silenciosas.

Entenda

  • Sobrecarga metabólica: o fígado precisa processar todo o açúcar e gordura ingeridos; o excesso de chocolate industrializado exige um trabalho dobrado do órgão.

  • Produção de gordura: o consumo elevado de açúcar estimula a lipogênese hepática, processo que gera o acúmulo de gordura dentro das próprias células do fígado.

  • Inflamação e resistência: a gordura saturada presente nos doces piora a resistência à insulina, favorecendo quadros inflamatórios que podem evoluir para doenças graves.

  • Alerta infantil: crianças são vulneráveis. A prevalência de gordura no fígado pode chegar a 50% entre o público infantil com obesidade.

Período marcado por consumo elevado de chocolate e encontros em torno da comida pode desencadear ansiedade, culpa e perda de controle em pessoas com relação emocional fragilizada com o alimento

De acordo com Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), o corpo costuma tolerar bem exageros pontuais, mas o perigo reside na recorrência ou na intensidade do consumo.

“O consumo de açúcar em grandes quantidades estimula a produção de gordura dentro do próprio fígado”, explica o especialista.

O perigo da doença silenciosa

A evolução desses quadros pode ser severa. A chamada esteatose hepática (gordura no fígado), se não monitorada, progride para inflamações avançadas.

Dados da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) revelam que, no Brasil, entre 12% e 40% dos pacientes com esteatose simples podem desenvolver fibrose em um período de oito a 13 anos. Destes, cerca de 15% podem evoluir para cirrose e até câncer hepático.

Atualmente, a situação epidemiológica no Brasil já é considerada preocupante. Estima-se que entre 30% e 35% da população adulta sofra com gordura no fígado, índice que se torna ainda mais expressivo em pacientes com diabetes tipo 2, obesidade ou síndrome metabólica.

Páscoa: veja se o chocolate pode sobrecarregar a saúde do fígado - destaque galeria

Quando o órgão não funciona adequadamente, ocorre um desequilíbrio do organismo
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Quando o órgão não funciona adequadamente, ocorre um desequilíbrio do organismo

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O fígado é um órgão vital, responsável por mais de 500 funções no corpo
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Os especialistas explicam sobre o consumo de magnésio e a condição de esteatose hepática
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A alimentação impacta a saúde hepática
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O fígado é o órgão que metaboliza as substâncias ingeridas e, por isso, sofre os efeitos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas
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O fígado é o órgão que metaboliza as substâncias ingeridas e, por isso, sofre os efeitos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas

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A esteatose hepática surge quando o fígado recebe mais gordura do que consegue metabolizar, gerando acúmulo
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A esteatose hepática surge quando o fígado recebe mais gordura do que consegue metabolizar, gerando acúmulo

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O fígado é responsável pela desintoxicação do organismo
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O fígado é responsável pela desintoxicação do organismo

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Atenção aos sintomas e sinais corporais

Como o fígado é um órgão “silencioso”, a esteatose raramente apresenta sintomas claros em estágios iniciais. Contudo, o Lucas Nacif aponta sinais indiretos que devem ser observados após o feriado:

  • Cansaço persistente e sensação de peso pós-refeição;

  • Desconforto na região direita do abdômen;

  • Acúmulo de gordura abdominal;

  • Alterações em exames de sangue (enzimas TGO e TGP elevadas).

“Se a pessoa termina a Páscoa sentindo aquele cansaço exagerado, barriga inchada e digestão pesada por dias, vale uma conversa com o médico e talvez um exame de imagem”, orienta o cirurgião.

O cuidado precoce é a melhor estratégia para evitar que o prazer momentâneo do chocolate se torne um problema crônico de saúde.





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