Após a Polícia Militar de São Paulo publicar, nesta quinta-feira (2), a portaria de inatividade que transfere para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, os pais da soldado da corporação Gisele Alves Santana se manifestaram. Em declaração, afirmaram: “Para aposentar, ele foi rápido. Para minha filha, sobrou o caixão e o luto para a família”.
Em vídeo, o pai de Gisele questiona o salário bruto de R$ 28 mil que será pago ao tenente-coronel, referente ao último vencimento antes da prisão. O casal encerra a gravação demonstrando indignação e tristeza. “É muito revoltante ver um assassino ser aposentado”, disse a mãe da vítima. Veja:
De acordo com critérios de proporcionalidade, o salário de aposentado de Geraldo Leite Rosa Neto deve ficar em cerca de R$ 20 mil. O pedido de transferência para a reserva foi feito pelo próprio tenente-coronel.
“Não é justo que alguém que cometeu um crime tão bárbaro continue recebendo valores à custa da população, inclusive dos pais da Gisele, que pagam seus tributos”, declarou o advogado.
O advogado da família da soldado, José Miguel da Silva Júnior, afirmou que recebeu a informação de que o pedido para manutenção do salário foi feito em menos de uma semana. Ele também questiona a decisão, argumentando que a própria corporação não admite condutas incompatíveis com a função.
Relembre o caso
A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, no último dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
A mudança de rumo na investigação ocorreu após a análise de laudos periciais, depoimentos e evidências extraídas de dispositivos eletrônicos.
Caso Gisele: família comenta sobre relação conturbada
Segundo o relatório da Polícia Civil e a denúncia do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), há um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio.
Entre os pontos centrais estão contradições do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte. De acordo com a versão apresentada pelo tenente-coronel, ele teria ouvido o tiro poucos instantes após sair do quarto da esposa.
O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido.
*Sob supervisão de Felipe Andrade