O Conselho de Segurança da ONU deve votar na sexta-feira (3) sobre uma resolução do Bahrein para proteger o transporte comercial no Estreito de Ormuz e nas áreas ao seu redor, disseram diplomatas, mas a China, que tem poder de veto, deixou claro sua oposição a qualquer autorização para o uso da força.

Os preços do petróleo dispararam desde que os EUA e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, dando início a um conflito que já dura mais de um mês e fechou efetivamente o estreito para o tráfego de navios.

Diplomatas disseram que o Bahrein, que atualmente preside o Conselho de Segurança de 15 membros, finalizou um rascunho de resolução visto pela Reuters que autorizaria “todos os meios defensivos necessários” para proteger o transporte comercial.

“Esperamos uma posição unificada deste respeitado Conselho durante a votação que ocorrerá amanhã sobre o rascunho da resolução, se Deus quiser”, disse o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, ao Conselho.

O Bahrein, apoiado em seus esforços para garantir uma resolução por outros países árabes do Golfo e Washington, havia anteriormente retirado uma referência explícita à aplicação vinculativa em uma tentativa de superar objeções de outras nações, especialmente da Rússia e da China.

O rascunho visto pela Reuters autoriza as medidas “por um período de pelo menos seis meses e até que o Conselho decida de outra forma.”

No entanto, ao falar ao Conselho de Segurança na manhã de quinta-feira (2), o enviado da China à ONU, Fu Cong, se opôs à autorização do uso da força.

Ele disse que isso “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força, o que inevitavelmente levaria a uma maior escalada da situação e resultaria em consequências graves.”

Um quarto rascunho da resolução foi colocado sob um procedimento chamado de “silêncio” para aprovação até o meio-dia de quinta-feira no horário local, 13h pelo horário de Brasília, mas uma fonte diplomática ocidental disse que o silêncio foi quebrado por China, Rússia e França.

Diplomatas disseram que um texto foi subsequentemente finalizado, ou “colocado em azul”, o que significa que a votação pode ocorrer. Eles disseram que isso acontecerá na manhã de sexta-feira, quando uma reunião do Conselho de Segurança está agendada, embora seja feriado da ONU.

Uma resolução do Conselho de Segurança exige pelo menos nove votos a favor e nenhum veto de seus cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.

Al Zayani afirmou que a “tentativa ilegal e injustificada do Irã de controlar a navegação internacional no Estreito de Ormuz” ameaça os interesses mundiais e “exige uma resposta decisiva.”

O secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Ahmed Aboul Gheit, disse ao Conselho de Segurança que apoia os esforços do Bahrein para garantir uma resolução.

Na quinta-feira, o Reino Unido sediou uma reunião com mais de 40 países para discutir os esforços para reabrir e garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz e também expressou apoio aos esforços do Bahrein para garantir uma resolução sobre a questão.

Na quarta-feira (1º), o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu continuar os ataques, mas não apresentou um plano para reabrir o estreito, o que fez com que os preços do petróleo subissem ainda mais, pois suas palavras geraram preocupações de que os EUA podem não desempenhar um papel importante em garantir a passagem segura para os navios através da importante via navegável.

 



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