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O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, com aproximação consistente de Luiz Inácio Lula da Silva, reflete uma mudança na percepção do eleitorado sobre o senador. Essa é a avaliação de Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial, em entrevista ao programa Ponto de Vista, da VEJA.
Segundo ele, o crescimento surpreendente nas sondagens se deve, sobretudo, ao aumento do conhecimento público sobre o perfil político do candidato. “As pessoas começaram a perceber quem de fato é Flávio Bolsonaro”, afirmou.
O que explica o avanço de Flávio nas pesquisas?
Marinho sustenta que, no lançamento da pré-candidatura, Flávio era visto apenas como um senador com atuação regional. Com o tempo, a exposição nacional teria ampliado sua base de apoio.
“No primeiro momento, ele herdou uma rejeição que se dava pelo desconhecimento”, disse. Agora, segundo ele, o senador passou a ser identificado como um nome que combina valores conservadores com uma postura mais flexível.
O coordenador também aponta que o eleitor passou a enxergar em Flávio um perfil mais dialogador. “Alguém jovem, que conversa, que negocia, que não é inflexível”, descreveu.
Como a campanha avalia o cenário econômico?
Ao ser questionado sobre propostas econômicas, Marinho fez críticas diretas ao governo Lula e afirmou que a direita pretende retomar uma agenda de responsabilidade fiscal.
“Este governo é irresponsável do ponto de vista fiscal. Aumenta tributos e cria um clima de insegurança”, declarou.
Ele contrapôs esse cenário ao que classificou como legado da gestão anterior, defendendo previsibilidade, redução de impostos e controle de gastos como pilares de um eventual governo.
O discurso contra o STF será mantido?
A entrevista também abordou declarações de Flávio sobre indulto a condenados por tentativa de golpe. Marinho rejeitou críticas e afirmou que a medida estaria dentro das prerrogativas constitucionais do presidente.
“Qualquer presidente precisa restabelecer a normalidade democrática”, disse, ao criticar decisões do STF e a condução de inquéritos.
Ele negou que a posição configure ameaça institucional e afirmou que se trata do exercício legítimo de atribuições presidenciais.
Qual é o plano para a segurança pública?
Na área de segurança, Marinho destacou o endurecimento das leis como eixo central. Ele citou a legislação contra facções criminosas como exemplo de política a ser aprofundada.
“A população é refém”, afirmou, ao defender penas mais duras e criticar medidas como audiências de custódia.
O senador também criticou declarações atribuídas ao presidente Lula sobre criminalidade, apontando uma diferença de visão entre governo e oposição.
A candidatura de Caiado preocupa?
Questionado sobre a entrada de Ronaldo Caiado na disputa, Marinho minimizou riscos de fragmentação da direita e indicou convergência no segundo turno.
A avaliação é de que candidaturas paralelas fazem parte do processo, mas devem convergir contra o governo na fase decisiva.
A eleição já está definida pela polarização?
Para o coordenador da campanha, o cenário atual indica uma disputa cada vez mais concentrada entre dois polos. O crescimento de Flávio nas pesquisas reforçaria essa tendência.