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A Comissão de Planejamento da Capital Nacional dos Estados Unidos se reunirá na tarde desta quinta-feira, 2, para decidir o destino do salão de baile de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) que o presidente Donald Trump quer erguer na Casa Branca. A análise do controverso projeto arquitetônico foi possibilitada por uma decisão judicial no início desta semana, que suspendeu temporariamente a construção.

Embora a ordem da Justiça não tenha entrado em vigor imediatamente, a liminar do magistrado Richard Leon levou o presidente a afirmar (como de costume, em post na sua rede, a Truth Social) que seu governo não precisava, de fato, de “autorização expressa do Congresso” para prosseguir com as obras. O governo está recorrendo da decisão.

Correligionários de Trump no Partido Republicano até agora não sentiram necessidade de se manifestar sobre a possível interrupção do projeto polêmico, que já levou à demolição de grande parte da Ala Leste da Casa Branca. Uma exceção foi o deputado Mike Simpson, de Idaho, que disse na quarta-feira, em comunicado via porta-voz, considerar a decisão judicial “estúpida. “Ninguém reclamou quando (Franklin) Roosevelt ou (Harry) Truman reformaram a Casa Branca”, afirmou.

A Comissão de Planejamento havia adiado a votação sobre o projeto no mês passado, após receber mais de 9 mil páginas de reclamações públicas oficiais sobre o salão de baile de 8.400 metros quadrados, que permitiria que o governo sedie eventos para cerca de 650 pessoas, mais que o triplo da capacidade da maior salão do prédio, o Salão Leste.

A Comissão de Belas Artes, que também é responsável por analisar os planos e onde Trump instalou aliados, votou a favor da aprovação do projeto no mês passado.

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Polêmicas

Grupos de preservação histórica entraram com ações judiciais e tentaram impedir o projeto. Em dezembro, o National Trust for Historic Preservation (Fundo Nacional para a Preservação Histórica) abriu um processo federal, buscando bloquear a construção, argumentando que o governo violou leis ao demolir partes da Casa Branca “sem qualquer tipo de revisão”.

Embora historiadores e especialistas em ética governamental afirmem que presidentes têm autoridade para conduzir reformas, eles levantam preocupações sobre o financiamento do novo salão de baile e a contratação das empresas de arquitetura — não está claro se foi um processo competitivo, ou se entidades ligadas ao republicano foram beneficiadas. O projeto está sendo executado pelos escritórios McCrery Architects, Clark Construction e AECOM.

O governo apresentou o fato de que não são os contribuintes que vão pagar pelo novo salão de baile como trunfo, mas o financiamento por doadores voluntários abre espaço para conflitos de ética. Além disso, especialistas alertam que a ampliação da Casa Branca pode permitir que Trump e futuros governos convidem seus doadores à residência presidencial, ao invés de realizar os tradicionais comícios, preparando terreno para uma abordagem cada vez mais transacional.

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+ Após salão de baile bilionário, Trump quer erguer ‘Arco do Triunfo’ americano

Em seu segundo mandato, Trump vem tentando remodelar as instituições americanas à sua imagem por meio de mudanças políticas abrangentes — mas parece também querer deixar sua marca na estrutura física da Casa Branca. Antes do salão de baile, ele já redecorou o Salão Oval (com direito a uma profusão de ornamentos dourados), o Rose Garden e instalou um novo mastro de bandeira em frente ao edifício que abriga o poder executivo dos Estados Unidos.

A nova obra também se soma a um cenário de polêmica sobre modernização e uso de recursos privados em propriedades públicas. Trump anunciou planos para erguer o “Arc de Trump”, uma versão americana do Arco do Triunfo, em frente ao Memorial Lincoln, também financiada por apoiadores do presidente.

O “Arc de Trump” seria erguido no fim da Memorial Bridge, às margens do rio Potomac, e comemoraria os 250 anos da independência americana, em julho.



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