A escalada da guerra envolvendo Irã voltou a sacudir os mercados globais nesta quinta-feira (2), com queda nas principais bolsas e forte alta do petróleo, após um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que frustrou expectativas de uma solução rápida para o conflito.

Em pronunciamento em horário nobre na noite de quarta-feira (1º), Trump afirmou que ainda busca uma saída diplomática, mas endureceu o tom ao prometer atingir o Irã “extremamente forte” nas próximas semanas.

A ausência de um cronograma claro para o fim das hostilidades aumentou a percepção de risco entre investidores e reduziu o otimismo que havia impulsionado os mercados no dia anterior.

Bolsas recuam com aumento da aversão ao risco

Os principais índices de ações dos EUA abriram em forte queda. O Dow Jones Industrial Average, o S&P 500 e o Nasdaq Composite chegaram a recuar de forma significativa no início do pregão, antes de reduzir parcialmente as perdas.

O movimento se espalhou para outros mercados. Bolsas na Europa e na Ásia também registraram quedas, refletindo o aumento da incerteza global. Investidores passaram a reprecificar ativos diante da possibilidade de um conflito mais longo e com impactos mais profundos sobre a economia mundial.

Analistas apontam que a volatilidade atual marca uma reversão brusca em relação ao otimismo recente.

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Na véspera, o S&P 500 havia registrado sua maior alta em dois dias desde maio do ano passado, impulsionado por apostas de um acordo iminente entre Washington e Teerã.

Petróleo dispara com temor sobre oferta global

No mercado de energia, os efeitos foram ainda mais intensos. O barril do petróleo tipo Brent crude subiu mais de 6%, aproximando-se de US$ 108, refletindo o risco de interrupções no fornecimento.

O foco das preocupações está no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

Qualquer bloqueio ou restrição no fluxo de navios na região pode provocar choques imediatos de oferta e pressionar ainda mais os preços.

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Durante o discurso, Trump voltou a sugerir que a reabertura plena da via marítima não seria prioridade dos Estados Unidos, indicando que outros países também deveriam arcar com os custos de garantir a segurança da rota, uma sinalização que aumentou a apreensão no mercado.

Juros sobem e ativos de proteção se ajustam

O aumento da incerteza também se refletiu no mercado de renda fixa. Os rendimentos de títulos públicos subiram nos Estados Unidos e em outros países, indicando ajustes nas expectativas de inflação e política monetária.

Já o ouro, tradicional ativo de proteção em momentos de crise, registrou queda, em um movimento que analistas interpretam como realização de lucros após altas recentes, e não necessariamente uma redução da busca por segurança.

Conflito prolongado amplia riscos para economia global

A deterioração do humor dos mercados reflete um temor mais amplo: o de que a guerra se prolongue e afete não apenas o setor de energia, mas também o crescimento econômico global.

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O encarecimento do petróleo tende a pressionar a inflação, reduzir o poder de compra das famílias e aumentar os custos de produção das empresas — um cenário que pode obrigar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.

Além disso, a instabilidade no Golfo Pérsico eleva o risco geopolítico em uma região central para o comércio global de energia, o que pode desencadear novos episódios de volatilidade financeira nas próximas semanas.



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