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O presidente americano, Donald Trump, afirmou que considera “seriamente” retirar os Estados Unidos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), depois de parceiros europeus membros da aliança militar se recusarem a participar da guerra lançada há um mês por seu governo, em conjunto com Israel, contra o Irã. Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, publicada nesta quarta-feira, 1º, o republicano chamou ainda o grupo de “tigre de papel” — expressão usada para descrever algo que parece poderoso ou ameaçador, mas na verdade é ineficaz e fraco.

Este foi o mais claro sinal, até agora, de que a Casa Branca não considera mais a Europa uma parceira de defesa confiável, na sequência dos pedidos de Trump para que os aliados históricos enviassem navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz; exigência que foi rejeitada.

Questionado reconsideraria a participação de seu país no pacto militar após o conflito no Oriente Médio, Trump não hesitou. “Eu diria que isso está além da fase de reconsideração. Nunca me deixei influenciar pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel — e (Vladimir) Putin também sabe disso, aliás”, disparou, referindo-se ao presidente da Rússia.

Reabertura do Estreito de Ormuz

Países da aliança de 32 membros têm se mostrado relutantes em ajudar a reabrir Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido pelo planeta. Teerã fechou a nevrálgica rota marítima desde o início da guerra, fazendo disparar os preços globais do combustível e gerando temores de uma recessão global.

Não se trata de uma missão simples. Embora a Marinha iraniana tenha sido duramente debilitada (os Estados Unidos disseram ter afundado entre 30 e 60 navios desde o início dos combates), ela ainda tem capacidade para encher as águas do estreito com minas. Danificar um navio de guerra que tente passar por lá exigiria apenas um drone — ou uma lancha carregada de explosivos, ou um foguete lançado de um navio ou da costa. Caso forças terrestres sejam mobilizadas na operação, certamente haveria muitas baixas. Mas Trump, que não consultou nem avisou seus aliados antes de iniciar a guerra, afirmou ao Telegraph que acreditava que o auxílio da Otan “deveria ser automático”.

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“Estivemos lá por eles na Ucrânia, que não era problema nosso. Mas eles não nos apoiaram”, disse ele.

Desdém e bases militares

Dirigindo-se especificamente ao Reino Unido, o americano repreendeu o primeiro-ministro Keir Starmer por se recusar a se envolver na guerra, sugerindo que a Marinha Real não estava à altura da tarefa. “Vocês nem sequer têm uma marinha. Seus equipamentos são muito velhos, tinham porta-aviões que não funcionava”, desdenhou.

Após os comentários, Starmer reafirmou seu apoio à Otan, descrevendo-a como “a aliança militar mais eficaz que o mundo já viu”. O premiê britânico sinalizou que buscaria um relacionamento mais próximo com a Europa em resposta ao deterioramento das relações com Washington e disse que, “independentemente do ruído”, agiria de acordo com os interesses nacionais.

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“Esta não é a nossa guerra e não vamos nos deixar arrastar para ela”, martelou, ecoando falas anteriores.

Outros membros do governo Trump têm demonstrado crescente frustração com seus parceiros históricos por conta da guerra. Na terça-feira, Marco Rubio, o secretário de Estado, acusou a Otan de ser uma “via de mão única”, criticando nações europeias por não permitirem o acesso às suas bases militares.

“A Otan não se trata apenas de defender a Europa, mas também de nos permitir ter bases militares na Europa para nossa segurança nacional. Se chegamos a um ponto em que a aliança da Otan significa que não podemos usar essas bases para defender nossos interesses, então é uma via de mão única”, disse ele em entrevista à emissora conservadora Fox News. “Acho que não há dúvida de que, infelizmente, após o término deste conflito, teremos que reexaminar essa relação”, completou.

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Punições

A decisão de retirar os Estados Unidos da Otan, porém, exigiria a aprovação do Congresso americano. Em 2023, durante o governo do democrata Joe Biden, o legislativo aprovou uma lei que impede o presidente de “suspender, encerrar, denunciar ou retirar” o país da aliança sem o consentimento do Senado ou uma lei aprovada em ambas câmaras.

De acordo com o Telegraph, Washington estuda em paralelo um leque de punições contra os membros da aliança que não atendam a exigências, em especial a porcentagem do PIB destinada a financiar o setor de defesa. Fontes próximas ao presidente americano disseram que ele considera criar uma nova regra que impede aqueles que não cumprem as metas de participarem da tomada de decisões, inclusive quando o bloco entrar em guerra. Também estaria na mesa a opção de retirar soldados americanas da Europa.

Trump fará um “pronunciamento à nação” às 21h locais (22h em Brasília) nesta quarta-feira para atualizar as informações sobre a guerra. Na noite de terça, ele afirmou que o conflito poderia terminar em “duas semanas, talvez três”, sustentando que seu único objetivo era impedir o Irã de obter armas nucleares.



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