Ler Resumo

A crise no Banco de Brasília ganhou novos contornos após o atraso na divulgação do balanço de 2025, aumentando a desconfiança do mercado sobre um rombo bilionário e o risco de intervenção. O repórter Bruno Andrade contou em reportagens aqui na Veja que o problema estaria ligado à compra de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master, com ativos ‘podres’, considerados de baixa qualidade e sem lastro adequado. O cenário elevou o temor de uma eventual liquidação pelo Banco Central.

Plano

Para evitar esse desfecho, o banco estruturou um plano de capitalização robusto. Entre as medidas, estão empréstimos de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos e outros R$ 4 bilhões com um sindicato de bancos. O pacote inclui ainda a criação de um fundo imobiliário com terrenos públicos do Distrito Federal, além da venda de participações em subsidiárias e de ativos considerados saudáveis.

Empréstimos

O cálculo financeiro pesa a favor do socorro. Para o FGC, conceder o empréstimo seria “muito mais barato” do que enfrentar uma liquidação. Nesse cenário extremo, o fundo teria que arcar com cerca de R$ 52 bilhões para cobrir correntistas e poupadores do banco, o que ampliaria o impacto sobre o sistema financeiro e exigiria mobilização ainda maior de recursos.

Relevância

O analista de investimentos Josias Bento (GT Capital) destaca que o BRB ainda possui ativos relevantes, como as folhas de pagamento de servidores públicos, que garantem fluxo de receitas recorrentes. Esse conjunto, na visão dele, reforça o argumento de que a instituição tem condições de recuperação, desde que haja apoio coordenado do mercado e das entidades de garantia.

Estrago Maior

Bento alerta que uma liquidação extrajudicial de uma instituição do porte do BRB “poderia causar um estrago muito grande no sistema financeiro nacional como um todo”. Por isso, a alternativa de socorro com participação do FGC e de outros bancos surge como a saída mais viável. A leitura predominante é de que preservar a operação, mesmo com custos elevados, ainda seria a opção menos arriscada para manter a estabilidade do sistema.

Continua após a publicidade

Privatizar

Já o economista Alex Agostini adota tom mais crítico. Para ele, após o saneamento das contas, o BRB deveria ser privatizado. Agostini afirma que bancos públicos acabam funcionando como um “canal que se tem para a corrupção” e avalia que o socorro do FGC eleva o custo de capital de todo o sistema, já que outras instituições precisam reforçar os aportes ao fundo. Na visão dele, a crise reacende o debate sobre o papel dessas instituições e os riscos fiscais envolvidos.

Campos Neto

Agostini também defende esclarecimentos do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na CPI do crime organizado. Segundo o economista, o depoimento ajudaria a esclarecer a relação entre o Banco Master e o BRB e avaliar eventuais fragilidades na supervisão. Ele afirma que Campos Neto tem “histórico ilibado” e que sua participação, assim como a do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, pode contribuir para aperfeiçoar os mecanismos de controle e evitar novas crises no sistema financeiro.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *