
A Petrobras elevou em 55% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) em abril, segundo notícia da Agência Reuters publicada nesta quarta-feira, 1º. A reportagem não localizou nenhum comunicado oficial da estatal sobre o reajuste. Procurada para comentar o aumento, a Petrobras não se manifestou.
Nesta semana, o grupo Abra, controlador da Gol, afirmou que a Petrobras reajustaria o preço do querosene de aviação a partir de 1º de abril. Ou seja, o comunicado da empresa de aviação reitera essa alta da realizada pela petroleira.
Na avaliação de Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, embora a notícia seja danosa para inflação e pode ser uma pressão para juros, ela é “excelente para a companhia”.
Segundo ele, o querosene de aviação gerou receita líquida de 24,7 bilhões de reais para a Petrobras em 2025, o equivalente a 4,96% da receita total da companhia. O analista estima que o aumento de 55% pode adicionar cerca de 10 bilhões de reais à receita da petroleira entre abril e dezembro, caso o novo preço seja mantido até o fim do ano.
“Isso é positivo para os resultados do segundo, terceiro e quarto trimestres da Petrobras, devendo elevar lucros e dividendos”, afirma Conde. Ele pondera, no entanto, que as ações da Petrobras, assim como as de outras petroleiras brasileiras listadas em bolsa, já refletiram potenciais aumentos de receita, lucro e dividendos.
“Assim, investidores tendem a ignorar hoje a boa notícia do aumento do preço do querosene de aviação e vender mais ações da Petrobras, que acumulam alta de 58% no ano, porque hoje o petróleo recua. O Brent cai 2,2% nesta terça-feira”, conclui Conde.