Uma pesquisa realizada pela Atlas/Intel revelou que o principal fator de rejeição ao Luiz Inácio Lula da Silva é a percepção de que ele estaria “envolvido ou seria conivente com corrupção”. O dado foi comentado por Lucas de Aragão, sócio-diretor da Arko Advice, durante entrevista ao CNN 360º desta quarta-feira (1º).
De acordo com os números apresentados, baseados em uma pesquisa de múltipla escolha, 85,9% dos eleitores que rejeitam Lula apontaram a corrupção como principal motivo. Em segundo lugar, com aproximadamente metade desse percentual, com 45,7%, aparece a visão de que Lula “quer a população dependente do Estado”, refletindo uma percepção de estatismo excessivo.
O terceiro motivo mais citado, com 33,2%, é a ideia de que Lula “representa um projeto de poder autoritário antidemocrático”. Na sequência, aparecem “não ser um bom presidente” (29,9%) e “não priorizar os verdadeiros problemas do país” (21%).
“Não é uma condenação que não vai para frente ou é cancelada que muda a percepção do público”, afirmou Lucas de Aragão. Segundo ele, o PT ainda tem a corrupção muito enraizada na sua história por conta dos escândalos da Lava Jato e do Mensalão.
“Quem não vota no PT, normalmente não vota lembrando dos escândalos de corrupção”, destacou o analista. Ele acrescentou que casos recentes como o do Banco Master, mesmo não estando diretamente ligados ao governo petista
“Sempre que você tem um super escândalo no país, isso acaba machucando o incumbente. Gera uma sensação de mudança, de que temos que mudar isso aí”, afirma o diretor da Arko.
Aragão também mencionou a investigação envolvendo o filho de Lula no caso do INSS e a recente solicitação de prisão feita pela CPMI do INSS. Para o analista, corrupção e segurança pública são assuntos historicamente desconfortáveis para o PT.
O especialista ainda destacou que a próxima campanha eleitoral deverá ser marcada pelo “partidarismo negativo”, fenômeno mundial em que as pessoas se identificam politicamente mais pelo que rejeitam do que pelo que apoiam. “Alguém vai ganhar baseado no principal combustível da eleição de 2026, que é medo do outro ganhar”, concluiu.