
O petróleo encerrou o mês de março com a maior alta em décadas, impulsionado pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto de toda a energia consumida no mundo.
O barril do tipo Brent terminou o período próximo de US$ 118, acumulando valorização superior a 60% no mês, um salto que não era visto desde grandes choques históricos do setor.
A disparada ocorre após Teerã bloquear o estreito em resposta a ataques realizados por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, desencadeando uma crise energética global com impactos imediatos sobre inflação, mercados financeiros e cadeias de abastecimento.
Gargalo energético global
O bloqueio do Estreito de Ormuz retirou do mercado cerca de 300 milhões de barris de petróleo, volume equivalente a quase três dias de consumo mundial.
Países do Golfo reduziram drasticamente sua produção, enquanto refinarias na Ásia operam com capacidade limitada diante da escassez.
O efeito é ainda mais intenso nos derivados: preços de diesel e querosene de aviação praticamente dobraram desde o início do ano, ampliando o impacto sobre transporte, indústria e alimentos.
Analistas apontam que a magnitude da disrupção supera, em escala, o choque causado pela guerra na Ucrânia em 2022.
Mercados reagem e cresce temor de inflação
A alta do petróleo contaminou os mercados globais ao longo de março. Bolsas registraram forte volatilidade, enquanto investidores passaram a exigir juros mais altos diante da perspectiva de inflação persistente.
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão, pressionando o custo de vida e ampliando os desafios econômicos para o governo de Donald Trump.
Economistas já falam em risco de estagflação, cenário de crescimento fraco combinado com inflação elevada, semelhante ao observado após a crise do petróleo nos anos 1970.
Escalada militar amplia incerteza
O conflito segue sem solução clara e com risco de expansão.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que as operações militares podem durar semanas e não descartou uma ampliação da presença americana na região.
Ataques recentes reforçam a instabilidade.
Um drone iraniano atingiu um petroleiro próximo a Dubai, enquanto rebeldes houthis lançaram mísseis contra Israel, elevando o risco também no Mar Vermelho, rota alternativa para o transporte de petróleo.
Pressão política e resposta dos EUA
Em meio à crise, Donald Trump tem adotado um discurso duro, pressionando aliados a garantir seu próprio abastecimento energético e defendendo maior protagonismo dos EUA no mercado global de energia.
Analistas avaliam que a imprevisibilidade da resposta americana contribui para a volatilidade dos preços e aumenta a incerteza entre investidores.
Perspectiva de preços elevados
Medidas emergenciais, como a liberação de reservas estratégicas, tiveram efeito limitado até agora.
Projeções de bancos indicam que o petróleo deve permanecer acima de US$ 100 nos próximos meses, com risco de novas altas caso o conflito se prolongue.
Para o mercado, março termina como um marco: o mês em que a guerra no Irã reconfigurou o equilíbrio energético global e reacendeu o temor de uma crise econômica mais ampla.