Se tem um hábito que se tornou praticamente automático nos últimos anos é o de manter a cabeça baixa, olhar fixo e o dedo rolando na tela. O problema é que, enquanto a rotina digital avança, a conta chega – e não é só para a saúde mental. Cada vez mais, pesquisas vêm mostrando que o uso exagerado de telas também está deixando marcas visíveis no corpo.

Ansiedade, dificuldade de concentração, isolamento social e problemas de visão já entraram no radar. Agora, especialistas acendem um alerta para outro alvo: o pescoço e, de quebra, a coluna e – pasmem – as ‘rugas’

Não é exatamente uma novidade que a postura típica de quem usa o celular – curvado, com o aparelho na altura da barriga – não faz bem. Mas estudos recentes ajudam a dimensionar o problema. Quando a cabeça se inclina para frente, o peso que a coluna cervical precisa sustentar salta de cerca de 5 kg para até 27 kg. É como se o pescoço passasse a carregar um volume equivalente ao de uma criança, repetidas vezes ao longo do dia.

O resultado é uma sobrecarga na região cervical. Com o tempo, isso pode se traduzir em dores, desgaste das articulações, tensão muscular e até quadros mais complexos, como hérnias de disco. O desconforto também costuma se espalhar para os ombros, costas e até os braços entram na conta. Não por acaso, surgiu um termo específico para descrever esse conjunto de sintomas: ‘tech neck’ (ou pescoço tecnológico, em português).

As rugas

O mesmo hábito que tensiona músculos também pode acelerar o envelhecimento da pele. A posição inclinada favorece a formação de vincos, que vão se aprofundando com o tempo e podem contribuir para a flacidez e o aumento da papada.

Continua após a publicidade

E há uma explicação biológica para isso. O pescoço é uma área particularmente delicada: a pele ali tem cerca de 2 milímetros de espessura — ou seja, metade da encontrada em regiões como as mãos. Além disso, conta com menos glândulas sebáceas, responsáveis por produzir a camada de proteção natural da pele. Em outras palavras, é uma região mais sensível ao desgaste.

Um estudo conduzido pela Universidade Chung-Ang, na Coreia do Sul, reforça esse alerta. A pesquisa observou que mulheres a partir dos 29 anos já apresentavam vincos no pescoço — um sinal que, tradicionalmente, surgiria apenas após os 40.

Prevenção

Vale lembrar que, se os americanos passam, em média, duas horas por dia no celular, os brasileiros conseguem se superar e quase dobram esse tempo, ficando atrás apenas da África do Sul no ranking global. É tempo suficiente — e até de sobra — para que os efeitos apareçam. “Uma hora diária com a postura errada já impacta no surgimento de rugas precoces”, afirmou o dermatologista Jardis Volpe, em entrevista à VEJA.

Continua após a publicidade

Como de costume, a indústria da beleza não demorou a reagir. Cremes, séruns e dispositivos voltados especificamente para o pescoço começam a ganhar espaço, prometendo efeito lifting e suavização das marcas.

Mas, nesse caso, talvez a solução mais eficaz seja também a mais simples — e menos vendável, claro. Reduzir o tempo de exposição às telas é o primeiro passo. O segundo é ajustar a postura: em vez de inclinar a cabeça para baixo, o ideal é elevar o celular à altura dos olhos. Pode parecer estranho no início, mas faz diferença real na carga suportada pela coluna.

Para quem passa muitas horas conectado, alguns suportes e acessórios ajudam a manter o aparelho na linha do olhar. E, claro, se dores no pescoço, ombros ou braços começam a se tornar frequentes, vale procurar orientação médica.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *