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O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta terça-feira, 31, que as forças militares de seu país ocuparão partes do sul do Líbano assim que concluir a guerra que mantém contra o Hezbollah, milícia xiita pró-Irã. Foi a segunda vez que autoridades do governo Benjamin Netanyahu falaram em uma ocupação pós-conflito.
O Líbano foi arrastado para a guerra que abala o Oriente Médio há mais de quatro semanas, virando uma de suas múltiplas frentes, depois do Hezbollah abrir fogo contra Israel em 2 de março numa retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.
“Ao final da operação, as IDF (Forças de Defesa de Israel) se estabelecerão em uma zona de segurança dentro do Líbano, em uma linha defensiva contra os mísseis antitanque, e manterão o controle de segurança de toda a região até o rio Litani”, afirmou Katz em vídeo divulgado pelo seu gabinete.
O Litani corre quase 30 km ao norte da fronteira entre os dois países.
O ministro acrescentou que centenas de milhares de libaneses deslocados serão impedidos de retornar até que a segurança no norte de Israel esteja garantida. Ele acrescentou que “todas as casas das localidades adjacentes à fronteira no Líbano serão demolidas seguindo o modelo de Rafah e Beit Hanoun, em Gaza”. As ordens de retirada emitidas pelo Exército israelense para a população libanesa já abrangem cerca de 15% do território nacional.
Anteriormente, o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, já havia defendido que seu país deveria ampliar sua fronteira com o Líbano até o rio Litani.
“(A campanha militar no Líbano) precisa terminar com uma realidade totalmente diferente, tanto com a decisão do Hezbollah, mas também com a mudança das fronteiras de Israel”, disse Smotrich em entrevista a um programa de rádio israelense. “Eu digo aqui definitivamente… em todas as salas e em todas as discussões também: a nova fronteira israelense deve ser o Litani”, acrescentou.
Na semana passada, as forças israelenses atacaram a Ponte Qasmiyeh, uma importante passagem que liga o sul libanês ao resto do país — algo que o presidente, Josef Aoun, descreveu como um “prelúdio para uma invasão terrestre”. Muitos libaneses temem que as forças israelenses estejam tentando separar a região sul do restante do Líbano antes de uma invasão em larga escala. Isso significaria que as mais de 1,2 milhão de pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas pelos combates, segundo o governo do país, não teriam para onde voltar.
Aoun, cujos pedidos por negociações diretas com o governo israelense foram ignorados, vem aumentando o tom das críticas contra o Hezbollah, a quem acusa de arrastar o Líbano para outra guerra que seu povo nunca quis. Na semana passada, seu governo expulsou o embaixador do Irã e taxou-o de persona non grata, uma vez que as autoridades em Beirute acusam a Guarda Revolucionária Iraniana de dirigir as operações da milícia xiita contra Israel.
Desde o início da ofensiva, mais de 1.200 libaneses morreram, entre eles 121 crianças, de acordo com o Unicef. As pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas representam 20% da população total, um contingente que inclui 370 mil crianças.