A dívida bruta do Brasil voltou a subir e alcançou 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em fevereiro, de acordo com dados do Banco Central do Brasil.
O resultado representa o patamar mais elevado desde novembro de 2021 e marca a retomada de uma tendência de crescimento após um período de relativa estabilidade.
Nos últimos anos, o indicador havia recuado após o pico observado durante a pandemia, quando superou 87% do PIB em meio ao aumento expressivo dos gastos públicos.
Com o fim das medidas emergenciais e a recuperação da atividade econômica, a relação dívida/PIB perdeu força. Esse movimento, porém, perdeu fôlego mais recentemente.
Custo dos juros impulsiona deterioração
O avanço do endividamento está diretamente ligado ao peso dos juros sobre as contas públicas. Ainda que o resultado primário tenha mostrado alguma melhora no mês, o impacto financeiro da dívida continua elevado e sustenta a pressão sobre o indicador.
Em fevereiro, os gastos com juros somaram R$ 84,2 bilhões. Considerando os últimos 12 meses, esse montante ultrapassa R$ 1 trilhão, equivalente a cerca de 8,1% do PIB.
Com isso, o déficit nominal, que inclui essas despesas, permanece elevado, atingindo aproximadamente 8,5% do PIB no acumulado anual.
Esse cenário indica que o esforço fiscal recente não tem sido suficiente para conter o avanço da dívida, já que o custo de financiamento segue alto.
Alívio no resultado primário não altera quadro
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro, abaixo do resultado negativo observado no mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi influenciado, em parte, pelo resultado positivo de estados e municípios, que ajudaram a suavizar o saldo total.
Apesar disso, a melhora pontual não altera o quadro mais amplo. A dinâmica fiscal continua pressionada, com necessidade recorrente de emissão de dívida para cobrir déficits e financiar despesas.
Nos últimos 12 meses, a dívida bruta acumulou aumento relevante em relação ao PIB, refletindo principalmente o impacto dos juros, que seguem como o principal fator de deterioração.
Projeções indicam continuidade da alta
A avaliação predominante no mercado financeiro é de que a dívida pública deve continuar crescendo nos próximos anos.
O aumento recente reforça uma trajetória de elevação iniciada após 2022, quando o indicador estava em nível significativamente mais baixo.
A estabilização da dívida exigiria uma reversão consistente do quadro fiscal, com geração de superávits primários expressivos e sustentados.
No entanto, o cenário atual ainda aponta para dificuldades nesse ajuste, diante da combinação de despesas elevadas e custo financeiro persistente.
Pressão fiscal segue como risco central
A evolução da dívida pública mantém o tema fiscal como um dos principais pontos de atenção da economia brasileira.
O crescimento do endividamento, aliado a déficits nominais elevados, tende a influenciar expectativas e condições financeiras mais amplas.
Sem mudanças mais estruturais nas contas públicas, a tendência é de continuidade da pressão sobre o indicador, o que limita o espaço para redução consistente dos juros e prolonga o desafio de estabilizar a dívida no médio prazo.