
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira, 31, a convocação dos ex-governadores Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, no âmbito da investigação contra o Banco Master. Os requerimentos foram realizados pelo relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB). Castro e Ibaneis devem ser formalmente notificados nos próximos dias. Embora a presença seja obrigatória, convocados têm recorrido a decisões judiciais para evitar o depoimento.
No documento, Viera argumentou que a convocação de Castro proporcionará “um panorama macroestratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, bem como a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal”. Ele também afirmou que “a visão de quem ocupou a cadeira de chefe do Executivo de um dos estados mais afetados por essa chaga é fundamental para que esta CPI possa diagnosticar as deficiências da atual legislação penal e processual penal”.
Já Ibaneis Rocha foi convocado por estar “no centro de dois eixos de investigação que convergem de maneira singular”.
“O primeiro diz respeito às relações comerciais do escritório de advocacia que fundou — e que leva seu nome — com entidades investigadas pelas denominadas Operação Compliance Zero e Operação Carbono Oculto, conduzidas pela Polícia Federal; o segundo refere-se ao papel institucional exercido pelo Governador nas decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB), banco público sob controle do governo distrital, cujas operações com o Banco Master constituem objeto central das investigações em curso”, disse o senador no requerimento.
“A convergência desses dois eixos, documentada por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), por apurações da CPMI do INSS e por investigações jornalísticas de grande repercussão, confere ao depoimento do Governador um caráter de necessidade investigativa que esta Comissão não pode ignorar”, acrescentou ele.