
Após provocar uma debandada de prefeitos do PL no Paraná ao filiar-se à legenda para disputar o governo do estado, o senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou ver como “naturais” as movimentações e disse crer que os mandatários eventualmente retornarão à sigla.
Liderados pelo ex-presidente do PL do Paraná, o deputado Fernando Giacobo, ao menos 48 prefeitos deixaram à legenda — o grupo prega alinhamento ao atual governador Ratinho Jr. (PSD).
“Essas movimentações partidárias são naturais, não tem nenhum problema. E aqui tem a máquina do governo fazendo pressão em cima dos prefeitos. Acho até errado agir dessa forma (…) Mas não vejo uma preocupação muito grande em relação a esse movimento, até porque a gente sabe que lá adiante eles voltam”, disse Moro ao programa Ponto de Vista, de VEJA, na manhã desta terça-feira, 31.
O senador, que lidera as últimas pesquisas de intenção de voto para o Palácio Iguaçu, citou o caso de governadores anteriores que atraíram um grande número de prefeitos aos seus respectivos prefeitos. “Quando o [Roberto] Requião governava o Paraná, a maioria dos prefeitos era do MDB. Quando era o Beto Richa, era o PSDB. Se o nosso projeto for bem sucedido, a grande maioria dos prefeitos vai estar no PL, vai vir para o PL”, declarou.
Moro lembrou, ainda, que o PL arrematou dois deputados estaduais que eram do União, e que a legenda tem filiado várias pessoas na última semana. “Assim como tem gente que sai, tem gente que entra (…) É um movimento que, claro, a gente lamenta esse grau de barulho. Isso, na verdade, é decorrente da pressão da máquina do governo. Mas a gente não vê isso com maiores preocupações”, prosseguiu.
Adversários
Na entrevista ao Ponto de Vista, Sergio Moro minimizou a rivalidade com Ratinho Jr., disse querer dar continuidade aos bons índices da gestão e afirma esperar quem serão os possíveis sucessores do atual governador.
“Nem sei quem são os candidatos. Toda hora a gente ouve alguma coisa, vamos esperar. O meu caminho é independente. O que acho errado é que alguém se coloque como candidato, mas ele só existe se tiver o apoio do fulano X”, alfinetou o senador. Aliados de Ratinho Jr. têm defendido que, apesar de serem nomes pouco conhecidos pelo eleitorado, os possíveis postulantes, ao serem associados à imagem do governador, têm um desempenho melhor nas pesquisas e, portanto, nas urnas.
“Alguém que quer governar o Paraná, e alguém que pode fazer um trabalho em tempos turbulentos que virão, tem que ser alguém que tenha uma história, alguém que tenha uma firmeza. E não alguém que depende, pra existir, do apoio de um terceiro”, afirmou Moro.
Na última semana, começou a ser ventilado o nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), para enfrentar Moro. Pimentel foi testado por pesquisa Atlas/Intel que deverá ser divulgada nesta terça, 31, segundo registro do instituto junto à Justiça Eleitoral. Além dele, são cotados como possíveis candidatos ao governo o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD).