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Para contribuir com a diminuição da poluição dos mares, em 2022, a Organização das Nações Unidas criou o Dia Internacional do Lixo Zero, celebrado nesta segunda-feira, 30. No mesmo ano, a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), colocou em prática o programa “Mar sem Lixo”, que tem como objetivo recolher resíduos sólidos do litoral paulista. Desde então, a iniciativa já retirou o equivalente a dez ônibus lotados de resíduos sólidos.
O volume coletado cresce de forma expressiva a cada ano: passou de 1,7 tonelada, em 2022, para 82,8 toneladas em 2025 — um aumento superior a 4.700%. O avanço evidencia a aceleração da iniciativa no combate à poluição marinha e sua ampliação ao longo do litoral paulista. Esse resultado está diretamente associado ao modelo adotado pelo programa, que também se consolida como política de geração de renda por meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Desde o início, mais de R$ 1 milhão já foi repassado a pescadores artesanais que atuam na retirada de resíduos e na conservação dos ecossistemas costeiros.
A remuneração ocorre de forma proporcional ao volume coletado, podendo chegar a R$ 700 mensais por pescador — um incentivo que fortalece a participação das comunidades e contribui para a continuidade das ações. “O problema ambiental virou solução sustentável, unindo conservação e geração de renda para as comunidades pesqueiras”, destaca o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz. Durante o período de defeso do camarão, quando a pesca é proibida, o número de pescadores participantes mais que dobrou em um ano, passando de 121, em 2024, para 274, em 2025.
Esse crescimento se mantém em 2026. Apenas no mês de fevereiro, 131 pescadores participaram das ações, indicando nova expansão da iniciativa, que hoje conta com cerca de 440 pescadores cadastrados no litoral paulista. O aumento da participação acompanha os resultados operacionais mais recentes: no comparativo entre os dois primeiros meses de 2025 e 2026, o programa registrou aumento na coleta de resíduos, passando de 10,09 toneladas para 12,8 toneladas. Também houve crescimento no número de participantes, de 80 pescadores em 2025 para 131 em 2026.
“Eu pesco desde os 12 anos e aprendi, na prática, que, se a gente não cuidar do mar, ele não cuida da gente”, diz Nelson Filho, 72 anos, pescador cadastrado no programa da Fundação Florestal desde 2023. “O programa garante o nosso sustento e o futuro dos nossos filhos.”
Os pescadores artesanais cadastrados recolhem resíduos descartados no mar durante suas atividades, como na pesca de arrasto de camarão. Já nos períodos de defeso são realizados mutirões de limpeza em manguezais, garantindo uma fonte complementar de renda e contribuindo para a destinação ambientalmente adequada dos resíduos.