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A embaixada dos Estados Unidos na Venezuela retomou suas operações nesta segunda-feira, 30, após sete anos fechada, anunciou o Departamento de Estado em meio à reaproximação do governo de Donald Trump com Caracas após a deposição do ex-ditador Nicolás Maduro em uma operação militar americana em janeiro.

“Hoje, estamos retomando formalmente as operações na Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, marcando um novo capítulo em nossa presença diplomática na Venezuela”, afirmou o Departamento de Estado em comunicado.

As relações diplomáticas entre os dois países estavam rompidas desde janeiro de 2019, quando Caracas cortou os laços com Washington em rejeição ao reconhecimento do então chefe do Parlamento, Juan Guaidó, como presidente interino de um governo que, na prática, foi meramente simbólico. Os Estados Unidos não reconheceram a primeira reeleição de Maduro, em 2018, por considerá-la fraudulenta; o mesmo ocorreu com a segunda reeleição, em 2024, alvo de denúncias de fraude por parte da oposição.

Aproximação de olho no petróleo

Desde janeiro, Donald Trump e a mandatária interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, vêm assinando acordos energéticos e minerais que modificam o modelo estatizante aplicado pelo falecido Hugo Chávez. Ela alinhou o governo aos interesses do ocupante do Salão Oval: cedeu a ele o controle do petróleo e reformou a lei petrolífera para abrir o setor ao capital privado, assinando em fevereiro acordos entre a estatal venezuelana PDVSA e a britânica Shell, os primeiros anunciados publicamente sob o amparo da nova regulação. O republicano tem elogiado seu trabalho.

No início de março, a Casa Branca e o governo de Delcy, vice-presidente de Maduro no momento de sua captura em 3 de janeiro, acordaram restabelecer as relações diplomáticas e consulares. A decisão veio depois dela receber em menos de um mês dois integrantes do gabinete de Trump: o secretário do Interior, Doug Burgum, e o secretário de Energia, Chris Wright.

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Em nota, a chancelaria venezuelana indicou que apostava em “uma nova etapa” na relação bilateral “baseada no respeito mútuo”.

“Esse processo contribuirá para fortalecer o entendimento e abrir oportunidades para uma relação positiva e de benefício compartilhado”, indicou o texto.

Em seguida, o governo americano reduziu de 4 para 3 o grau de periculosidade para os viajantes que visitam a Venezuela, embora mantenha o nível muito elevado na zona fronteiriça com a Colômbia. A mudança foi introduzida para “refletir e atualizar a informação de risco para cidadãos americanos” no país caribenho, explicou o Departamento de Estado. Após a remoção de Maduro, os Estados Unidos consideram que já não há risco de “detenção indevida” ou de “distúrbios”.

Em meio à reaproximação, a presidente interina também já pediu o fim das sanções americanas aplicadas ao petróleo e outros negócios. Alguns bloqueios econômicos já foram suspensos após a captura de Maduro, que favorecem as atividades petrolíferas e minerais. Em paralelo, Delcy anunciou ainda uma anistia a presos políticos sob pressão de Washington.



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