Fundada em uma garagem na Califórnia em abril de 1976, a Apple completa meio século de existência tendo transformado não apenas a indústria da informática, mas a própria cultura popular. Para marcar a data, um mergulho em cinco fatos pouco conhecidos sobre a empresa sediada em Cupertino.

A maçã mordida e seus mistérios

Poucas logomarcas geraram tantas especulações quanto a maçã com uma mordida da Apple. Ao longo dos anos, surgiram as mais variadas teorias: uma alusão ao fruto proibido do Éden, uma homenagem ao matemático britânico Alan Turing — que teria se envenenado com uma maçã —, ou ainda uma referência à gravadora dos Beatles. A verdade, segundo seu criador, é bem mais prosaica.

O designer gráfico Rob Janoff revelou, em entrevista à revista Forbes, em 2018, que recebeu uma única instrução de Steve Jobs ao ser contratado, em janeiro de 1977: “Não a faça bonita.” Jobs queria algo mais simples do que a primeira logo da Apple Computer, uma ilustração elaborada de Isaac Newton sob uma macieira. Janoff conta em seu site que passou duas semanas estudando cortes transversais de maçãs antes de chegar à forma definitiva — uma fruta com uma pequena mordida, para que ninguém a confundisse com um tomate.

O terceiro fundador que ninguém lembra

A história consagrou Steve Jobs e Steve Wozniak como os cofundadores da Apple. Mas um terceiro homem assinou o contrato de três páginas ao lado deles no dia 1º de abril de 1976: Ronald Wayne, engenheiro da fabricante de videogames Atari, que assumiria a responsabilidade pelo hardware e pela documentação da empresa nascente.

Ao contrário de seus sócios, Wayne temia colocar suas economias em risco caso o negócio não desse certo. Onze dias após a fundação, ele abriu mão de sua participação e vendeu os 10% que lhe cabiam por dois pagamentos que, somados, não chegavam a 2.400 dólares — cerca de 12 mil reais em valores atuais. Em 2026, aquela fatia valeria aproximadamente 370 bilhões de dólares.

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O comercial que virou obra de arte

Em 22 de janeiro de 1984, dezenas de milhões de americanos assistiam ao Super Bowl quando um comercial de um minuto interrompeu a transmissão e deixou o país em estado de choque. Dirigido por Ridley Scott, o anúncio mostrava um futuro distópico — claramente inspirado no romance de George Orwell — em que um atleta arremessa um martelo contra a imagem de um Grande Irmão que discursa para uma multidão de cidadãos doutrinados.

O produto em si mal aparecia. O que o comercial vendia era uma promessa: a de que os computadores pessoais seriam uma ferramenta de emancipação, capaz de libertar as pessoas do conformismo tecnológico. Meio século depois, o anúncio ainda é estudado em escolas de comunicação e marketing ao redor do mundo.

Uma paleta de cores num universo cinza

Durante anos, o mercado de computadores foi dominado pela estética austera do bege e do cinza. A Apple decidiu romper com isso. Os iMacs de primeira geração, lançados em 1998, chegaram às lojas com carcaças translúcidas em tons de azul, verde e outras cores vibrantes — uma provocação deliberada à sobriedade dos concorrentes.

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O iPod percorreu caminho semelhante: nasceu em cinza metálico e foi ganhando uma cartela cada vez mais colorida ao longo dos anos. Já em 2015, a versão em ouro rosê do iPhone 6s desencadeou uma febre de imitações e batizou uma tendência estética que ficou conhecida como “rosa millennial” — e que tomou conta de produtos dos mais variados segmentos por anos a fio.

O segredo por trás das 9h41

Quase toda imagem oficial de um produto Apple — seja em anúncio publicitário, seja em captura de tela — exibe o mesmo horário: 9h41. A coincidência chamou atenção do desenvolvedor australiano Jon Manning, que em 2010 decidiu perguntar diretamente a Scott Forstall, então responsável pelo iOS, o que havia por trás daquele detalhe.

A resposta foi simples: os eventos de lançamento da Apple eram cuidadosamente roteirizados para que o grande momento de revelação do produto ocorresse cerca de 40 minutos após o início da apresentação. Ao congelar os relógios naquele instante, a empresa garantia que, nas fotos, o horário na tela coincidisse com a emoção do anúncio — um requinte de controle narrativo à altura da marca.



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