Um petroleiro pegou fogo perto do Estreito de Ormuz após ser atingido por um projétil desconhecido, informou a UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) nesta segunda-feira (30).
O navio-tanque estava a 57,4 quilômetros a noroeste de Dubai quando o projétil o atingiu, informou a UKMTO, citando um relatório das 17h20, horário de Brasília, do oficial de segurança da empresa responsável pela embarcação.
A tripulação estava segura e foi contabilizada, nenhum impacto ambiental foi relatado, afirmou a UKMTO.
Embarcações comerciais têm sido alvo de ataques com mísseis ou drones explosivos aéreos e marítimos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
Mais cedo, nesta segunda-feira, um navio porta-contêineres de propriedade grega, localizado na costa de Ras Tanura, na Arábia Saudita, relatou duas ocorrências separadas em que projéteis atingiram a água perto da embarcação, disseram especialistas em segurança marítima.
Um representante do navio Express Rome, de bandeira da Libéria, relatou que dois projéteis desconhecidos caíram na água perto do porta-contêineres, a aproximadamente 40 quilômetros a nordeste de Ras Tanura, às 10h52, horário de Brasília.
As ocorrências aconteceram com menos de uma hora de diferença e a tripulação foi considerada ilesa, informou o grupo britânico de gestão de riscos marítimos Vanguard.
A Guarda Revolucionária Islâmica reivindicou anteriormente a autoria do ataque ao Express Rome em 11 de março, segundo a Vanguard.
A empresa operadora do navio não se pronunciou imediatamente. Nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques desta segunda-feira.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.