
Londres se tornou palco da maior manifestação multicultural da história da Inglaterra neste sábado, 28 de março. O cálculo feito pela polícia local afirma que 50 000 pessoas ocuparam as ruas da capital do Reino Unido para protestar contra a ascensão da extrema direita, meses após a marcha Unite the Kingdom, organizada pelo ativista de direita Tommy Robinson, que teve a presença de cerca de 110 000 pessoas. As autoridades, porém, admitem que o cálculo não é preciso, devido à formação dispersa da multidão. Organizadores do evento afirmam que meio milhão de pessoas viajaram a Londres para participar do protesto.
Para além dos civis anônimos, celebridades inglesas como Christopher Eccleston, Steve Coogan, Paloma Faith e Brian Eno foram às ruas para demonstrar sua oposição aos ideais de direita. Os músicos Self Esteem, Jessie Ware, Katy B, Joy Crookes, UB40 e Hot Chip também animaram a massa com breves apresentações em meio a discursos da parlamentar de esquerda Diane Abbott e do líder do Partido Verde, Zack Polanski.
Segundo Polanski, a maré está se voltando contra a extrema direita: “Passamos por tempos obscuros e sei que muitas pessoas ficaram com medo, mas dias como esse existem para mandar uma mensagem, uma mensagem para Tommy Robinson, para Nigel Farage e para aqueles que os seguem”.
Robinson é um ativista, mas nunca concorreu a cargo político. Farage, por sua vez, é membro do partido Reform UK e um dos maiores defensores do Brexit e do americano Donald Trump.
Não só contra políticos de direita, a manifestação teve protestos contra empresas petrolíferas e outros agravantes das mudanças climáticas, além de queixas sobre homofobia e transfobia. Dezoito pessoas foram presas por demonstrar apoio à Palestine Action, rede de apoio ao país ocupado por forças de Israel. Mais de 2 700 civis já foram presos pelo mesmo motivo desde 2025, quando autoridades inglesas declararam que a organização tinha caráter terrorista. A pena máxima é de 14 anos de prisão.