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O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, divulgou um vídeo no último final de semana ensaiando uma ‘dancinha’ que viralizou nas redes sociais. Levantamento da consultoria Bites mostra que as imagens alcançaram 54 milhões de visualizações e mais de 200 mil interações, que é a soma de comentários, curtidas e compartilhamentos.

O ‘Funk do Zero Um’ é parte de uma estratégia do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro de construir uma imagem menos sisuda perante os eleitores — método usado, por exemplo, pelo presidente argentino, Javier Milei, protagonista de  performances bem esquisitas.

A dancinha, porém, não deve render votos. “Eu suspeito que a divulgação desse tipo de conteúdo tende a engajar bastante em determinadas audiências cativas e bolhas, mas isso não necessariamente se traduz em voto”, diz a professora de ciência política Nara Pavão, da Universidade Federal de Pernambuco.

Internautas reagiram de diferentes maneiras. Muitos elogiaram, mas também houve críticas. “Flavio, sou fã do seu pai e da sua família. Mas vai um conselho de um eleitor pobre da Baixada Fluminense: é muito bacana essa interação com o público fazendo dancinha. Mas, vamos dosar, além do povão que gosta de dancinha, tem um povão mais consciente. Fale com todos!”, reagiu um executivo em vendas. “ Imitar o Milei como você faz é mais patético ainda”, disse outro.

Para o diretor técnico da consultoria Bites, André Eler, Flávio foi mais feliz na construção da imagem ao divulgar recentemente um vídeo onde aparece brincando com os sobrinhos, filhos do irmão Eduardo. “As dancinhas do Flávio são muito criticadas, pela falta de naturalidade”, diz Eler. “Mas o nível de repercussão é quase o dobro da repercussão média de outras publicações que  ele faz na internet”.

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O diretor do Instituto Opinião, o sociólogo Arilton Freres, credita a iniciativa do senador à vontade de demonstrar mais proximidade com o eleitor na era da internet. “Hoje o político está diariamente na tela do celular das pessoas. Isso cria a necessidade de parecer mais humano, mais espontâneo, mais próximo, e não apenas uma figura institucional, quase robótica”, diz.

A construção da imagem de Flávio já passa pela mudança em relação a alguns temas. O senador, por exemplo, votou favorável ao projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo — posição contrária à do irmão, por exemplo.

“A atual tentativa de aprovar a chamada ‘Lei da Misoginia’, por agentes públicos eleitos sob a batuta do bolsonarismo, deve ser completamente repudiada”, escreveu Eduardo Bolsonaro nas redes sociais. “Não posso aceitar calado que sequestrem o movimento conservador bolsonarista para uma agenda ideológica que considero antinatural e agressivamente antimasculina”.



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