
A partir deste mês, a companhia aérea norte-americana Southwest Airlines mudará sua política para passageiros de maior porte. A empresa, que historicamente permitia a aquisição de um assento adicional com garantia de reembolso automático ou a concessão gratuita do espaço no próprio aeroporto, passará a exigir a compra antecipada do segundo lugar.
Com a alteração, o reembolso deixa de ser garantido e passa a depender de critérios rigorosos. Para reaver o valor pago no assento extra, o cliente precisará cumprir três requisitos: o voo deve decolar com pelo menos uma poltrona vazia, as duas passagens devem ter sido adquiridas na mesma classe tarifária e a solicitação precisa ser feita em até 90 dias após a data da viagem.
Na prática, a mudança na política e a forma como está sendo aplicada têm gerado graves problemas nos aeroportos. Passageiros relatam que funcionários da companhia estão avaliando o tamanho dos clientes de forma visual e subjetiva, muitas vezes com abordagens rudes e no meio do saguão, exigindo a compra imediata de outro bilhete. Como a nova diretriz permite que a exigência seja aplicada sob “critério exclusivo” da companhia aérea para garantir o conforto e a segurança do voo, há relatos de viajantes que tiveram suas reservas canceladas ou perderam voos por não terem condições de arcar com o custo de última hora.
O impacto financeiro e o constrangimento emocional da medida provocaram a indignação de passageiros e organizações de defesa da diversidade corporal, que apelidaram a nova exigência de “taxa de gordura” (fat tax). Ativistas alertam que a cobrança fará com que as viagens aéreas se tornem proibitivamente caras e extremamente estressantes para essas pessoas.
Com o fim dessa gratuidade e a transição para um modelo de assentos marcados, a Southwest afasta-se de sua antiga reputação de ser a companhia mais acolhedora e equitativa do setor aéreo para esse público, apagando o que muitos defensores consideravam ser o último “farol de esperança” para viajantes obesos nos Estados Unidos.