
Neste sábado, 28, os Estados Unidos devem ir às ruas em uma mobilização de proporções históricas. Mais de 9 milhões de americanos são esperados em mais de 3 mil manifestações espalhadas pelos 50 estados do país, marcando o terceiro grande ciclo de protestos do movimento “No Kings” (Sem Reis). A onda de insatisfação popular surge como uma resposta direta às políticas internas e externas do segundo mandato do presidente Donald Trump.
O nome do movimento, “No Kings”, não é acidental; trata-se de uma referência direta à postura autoritária adotada por Trump e seus comandados. Críticos, ativistas e veteranos acusam o presidente de tentar governar como um tirano, concentrando poder no Executivo, governando por meio de decretos e utilizando o Departamento de Justiça de forma aparelhada para perseguir opositores políticos. Segundo a plataforma da coalizão que organiza os atos, a mensagem central defende as instituições democráticas: o poder pertence ao povo, e não a líderes que aspiram ser reis ou a seus aliados bilionários.
Do ponto de vista geopolítico e social, a pauta das manifestações foca em duas frentes principais que têm gerado instabilidade: a recente guerra iniciada contra o Irã, em aliança com Israel, e a agressiva política de imigração. O estado de Minnesota tornou-se o epicentro nacional do movimento após agentes da polícia de imigração (ICE) assassinarem a tiros dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, durante operações. Em solidariedade e protesto, a capital St. Paul recebe hoje artistas e líderes de peso, como Bruce Springsteen, Joan Baez, Jane Fonda e o senador Bernie Sanders, ecoando o principal lema das multidões: “No War, No ICE”.
Apesar da magnitude da oposição, que já havia registrado protestos gigantescos em junho e outubro do ano passado, a Casa Branca tem reagido com desdém. Em comunicado oficial, o governo minimizou os atos, classificando-os como meras “sessões de terapia de desorientação” para a oposição, atribuindo a mobilização a redes de financiamento de esquerda e afirmando que não há apoio público real.
No entanto, a realidade política e social aponta para um cenário de alerta para a atual administração. Com a taxa de aprovação de Trump despencando para a faixa dos 36% a 40%, impulsionada pelos desgastes da guerra no Oriente Médio e por impactos econômicos, os protestos “No Kings” funcionam como um termômetro crítico do descontentamento civil. Às vésperas das eleições de meio de mandato (midterms), o movimento consolida-se não apenas como uma demonstração de resistência democrática contra tendências autocráticas, mas como uma força política capaz de ameaçar o controle republicano e redesenhar o equilíbrio de poder no Congresso americano.