
Quando surgiu a vontade da Globo de investir nos microdramas? A decisão nasceu da estratégia contínua de inovação da Globo para acompanhar a evolução dos hábitos de consumo, especialmente o avanço dos formatos mobile e social first. Trata-se de uma aposta multiformato, parte de um movimento mais amplo de transformação em linguagem, distribuição e formatos. A empresa já tinha uma operação sólida em conteúdos verticais com os produtos publishing, g1, ge e gshow que, juntos, publicam cerca de 2 000 vídeos verticais por semana, criando um terreno fértil para ampliar esse ecossistema para novas narrativas. E o investimento em microdramas veio ao encontro disso, da percepção de que havia um potencial único em unir a excelência da Globo em dramaturgia ao dinamismo do conteúdo vertical, capaz de acompanhar os micro momentos da vida dos brasileiros. As primeiras produções originais, lançadas no fim de 2025, já chegaram com um modelo comercial estruturado e patrocinadores confirmados, reforçando que este formato é um pilar estratégico dentro da visão de futuro da Globo.
Quanto a Globo está investindo nessa vertente? O investimento é contínuo: estrutura, especialização de equipes, desenvolvimento criativo e parcerias de produção próprias dessa linguagem. Movimento que se justifica pelo fato de que, embora o formato dialogue com a dramaturgia tradicional, ele exige uma lógica própria de narrativa, ritmo e produção específica para o consumo vertical. Não abrimos valores de investimento. A prioridade da Globo, no momento, é consolidar uma dinâmica sustentável de lançamentos, com recorrência de consumo e oportunidades comerciais consistentes.
Por que é importante apostar nesse mercado? Porque as histórias precisam acompanhar o público, estar onde as pessoas estão. Mais do que apostar, investimos no formato porque o consumo mobile e social first é parte importante da rotina dos brasileiros e levar nossas novelas para esse contexto, respeitando as características do formato, é ampliar o território natural da dramaturgia. Fortalecemos nossa presença na jornada de vida das pessoas, diversificamos ritmos de consumo e criamos novas pontes entre pessoas e marcas, mantendo a relevância, o poder de influência e o potencial cultural das histórias que contamos.
Em relação à comparação com uma novela tradicional, como os microdramas são mais rentáveis? São formatos distintos, com lógicas diferentes de criação, distribuição e monetização, o que torna qualquer comparação direta de rentabilidade inadequada. A novela tradicional segue cumprindo um papel central na tela grande da TV, com forte escala, fidelidade do público e uma experiência longa de imersão que permanece extremamente relevante. Uma relação interessante que vemos entre os dois formatos está na complementaridade. Os microdramas têm se mostrado um caminho estratégico para expandir universos narrativos, criar recortes específicos das histórias e ampliar as conversas em torno das obras, oferecendo novas camadas de experiência ao público. Um exemplo é ‘Loquinha’, que estreia em breve com 25 capítulos nas redes da TV Globo e nasce a partir do sucesso do casal Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) em Três Graças. Trata-se de uma extensão do universo da novela, que explora outros ângulos dos personagens e fortalece o vínculo com a audiência. O mesmo acontece com as novelinhas derivadas de títulos como A Força do Querer, Vai na Fé, Terra e Paixão e Verdades Secretas, focadas nas tramas de personagens icônicos da dramaturgia brasileira.
Como surgiu a ideia de fazer um recorte da história da Cida, de Cheias de Charme e por que ela foi a personagem escolhida exatamente? O microdrama permite ampliar universos narrativos e reativar vínculos afetivos. Cheias de Charme segue extremamente presente na memória afetiva dos brasileiros e Cida reúne todos os elementos que buscávamos: trajetória emblemática, identificação popular e forte lembrança. Trazê-la de volta é conectar gerações e atualizar uma história querida dentro dos hábitos atuais de consumo.
Quantos projetos de microdramas já foram realizados até agora e quantos serão lançados ainda neste ano e em 2027? A meta é encerrar 2026 com cerca de 50 títulos lançados no Globoplay, incluindo originais, obras licenciadas, conteúdos derivados de grandes tramas e spinoffs de personagens da TV Globo. Em termos de negócios, desde o início criamos projetos comerciais desenvolvidos exclusivamente para as novelinhas. Garantindo que as marcas estejam inseridas no consumo de forma orgânica e contextualizada, fazendo parte da experiência das pessoas e fortalecendo a integração entre narrativa e objetivos de comunicação. E estamos desenvolvendo um novo modelo comercial que permitirá que os anunciantes se associem aos microdramas por meio de um patrocínio ampliado, com entregas previstas em diversos títulos já em produção para 2026.
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