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Uma das referências de centro na política brasileira após a redemocratização, o PSDB governou o país por dois mandatos, com Fernando Henrique Cardoso, que debelou a inflação e realizou importantes reformas econômicas. Na próxima eleição, como ocorreu em 2022, o partido não terá candidato à Presidência da República, mesmo reclamando da polarização entre o presidente Lula e o grupo político de Jair Bolsonaro.
“Inflação de volta, violência batendo na porta das nossas casas. O Brasil quer solução e não aguenta mais tanta briga política que contamina as famílias e afasta os amigos”, diz o deputado federal Aécio Neves, comandante tucano, na propaganda do partido. “O caminho seguro é o centro, longe dos extremos. Estamos firmes e fortes trabalhando para mudar o Brasil de verdade”.
Outrora protagonista, o PSDB não está sozinho no papel de coadjuvante. O histórico MDB — de Michel Temer, alçado a presidente após o impeachment de Dilma Rousseff — também não terá candidato ao Planalto. Como sempre envolvido em querelas paroquiais, o MDB priorizará a disputa para a Câmara dos Deputados, cujo resultado é decisivo para a divisão dos bilionários fundos eleitoral e partidário.
Legenda que elegeu o maior número de prefeitos em 2024, o PSD chamou para si a responsabilidade de garantir a representação do centro, apresentou três governadores como presidenciáveis e esperava anunciar o mais competitivo deles na disputa contra Lula e Flávio Bolsonaro, mas Ratinho Júnior, do Paraná, desistiu de última hora, transformando o sonho de uma candidatura alternativa, mais uma vez, em frustração.
O PSD ainda cogita lançar o governador Ronaldo Caiado (Goiás) ou o governador Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) na sucessão ao Planalto, mas nenhum deles jamais foi a opção preferencial de Gilberto Kassab, o mandachuva da sigla. Na última pesquisa Atlas em parceria com a Bloomberg, Caiado marca menos de 4%, e Leite, pouco mais de 1%. Falta à terceira via o principal: voto.
“Eu acho que ainda teremos um longo período de polarização entre bolsonarismo e lulismo”, diz um dos estrategistas da campanha de Flávio Bolsonaro. Esse longo caminho começou em 2018, quando o ex-ministro Ciro Gomes, então no PDT, até superou a marca de dois dígitos no primeiro turno, mas ficou na terceira colocação com 12,47% dos votos, atrás de Fernando Haddad, o candidato de Lula, e de Jair Bolsonaro.
Em 2022, o desempenho da pretensa terceira via foi ainda pior. Concorrendo pelo MDB, Simone Tebet acabou em terceiro lugar com apenas 4,16%. O mesmo Ciro Gomes registrou meros 3,04%. Desde então, a história se repete. Há uma expectativa enorme pela construção de uma candidatura de centro capaz de romper a polarização, que logo cai em descrédito. Nada indica que será diferente em 2026.