O preço do petróleo disparou para US$ 110 o barril nesta sexta-feira, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio e à crescente preocupação com a oferta global de energia. A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de prorrogar em dez dias o prazo para negociações com o Irã não foi suficiente para acalmar os mercados.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as conversas com Teerã “estão indo muito bem”, ao anunciar a extensão do prazo até 6 de abril. Ainda assim, investidores reagiram com cautela, diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
O aumento do preço da commodity pressionou os mercados financeiros globais. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos subiu para 4,46%, o maior nível desde o início do conflito. Bolsas europeias operaram em queda, enquanto o índice S&P 500, nos Estados Unidos, caminhava para nova baixa após atingir o menor patamar em seis meses no dia anterior.
A instabilidade reflete o temor de um choque de oferta semelhante ao observado em crises energéticas anteriores. Analistas de mercado apontam que cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, o que torna qualquer ameaça à região um fator imediato de pressão sobre os preços.
No campo militar, Israel intensificou sua ofensiva contra o Irã. O ministro da Defesa israelense afirmou que o país continuará a eliminar líderes iranianos e ampliará ataques à indústria de armamentos. Bombardeios atingiram Teerã, enquanto países do Golfo foram alvo de novos ataques iranianos.
Os efeitos do conflito já começam a alterar rotas comerciais. O Irã passou a redirecionar importações de grãos para o Golfo de Omã, evitando o Estreito de Ormuz. Dados de navegação indicam aumento no fluxo de cargas para o porto de Chabahar, enquanto o tráfego marítimo na região do Golfo diminuiu.
Especialistas em commodities avaliam que os custos de seguro e os riscos de guerra continuam elevados, o que deve limitar o transporte mesmo de bens essenciais. A expectativa é de que a volatilidade nos mercados de energia persista enquanto não houver sinais concretos de desescalada no conflito.
O cenário reforça preocupações com impactos inflacionários globais e possíveis efeitos sobre o crescimento econômico, especialmente em países dependentes de importação de energia, como os europeus e parte das economias emergentes.