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O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Volker Türk, pediu nesta sexta-feira, 27, ao governo dos Estados Unidos que conclua o mais rápido possível a sua investigação sobre o ataque aéreo contra a escola primária Shajarah Tayyebeh, no Irã, em 28 de fevereiro. Ao menos 175 pessoas morreram no episódio, muitas delas crianças, segundo autoridades locais.
“Funcionários de alto escalão americanos disseram que o bombardeio está sendo investigado. Peço que o processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. É preciso fazer justiça pelo terrível dano causado”, declarou Türk ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, acrescentando que “corresponde àqueles que efetuaram o ataque investigar de maneira rápida, imparcial, transparente e exaustiva”.
Diante do mesmo Conselho, em mensagem de vídeo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que o ataque foi uma operação “calculada” dos Estados Unidos, classificando-o como “um crime de guerra e um crime contra a humanidade”.
“As declarações contraditórias dos Estados Unidos, que visam justificar seu crime, não podem, de forma alguma, exonerá-los de sua responsabilidade”, afirmou o chanceler iraniano.
Também através de uma mensagem de vídeo, a mãe de duas crianças mortas no ataque disse que a “verdade deve ser trazida à tona” e classificou os Estados Unidos e Israel como “a causa desse sofrimento”, pedindo que ambas as nações sejam responsabilizadas.
“Apelo ao Conselho de Direitos Humanos, aos seus membros, às instituições responsáveis e a todos aqueles que têm o dever e a capacidade de defender a vida das crianças, para que não deixem que esta tragédia seja esquecida”, disse a mãe.
Apuração
Investigações preliminares indicaram anteriormente que os Estados Unidos são responsáveis pelo ataque aéreo contra a escola em Minab, de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times.
Segundo a análise, o bombardeio de 28 de fevereiro teria sido resultado de um erro de direcionamento por parte das Forças Armadas americanas, que realizavam ataques contra uma base iraniana adjacente, da qual o prédio da escola fazia parte anteriormente. Oficiais do Comando Central dos EUA criaram as coordenadas do alvo para o ataque usando dados desatualizados fornecidos pela Agência de Inteligência de Defesa.
Ataques deliberados a escolas, hospitais ou quaisquer estruturas civis são considerados um crime de guerra, de acordo com o direito internacional. Se o envolvimento dos Estados Unidos for confirmado, este seria um dos piores casos de vítimas civis ao longo de todas as décadas de envolvimento americano em conflitos no Oriente Médio.