
O quadro da herdeira das Casas Pernambucanas, Anita Harley, que está em coma há 10 anos, voltou à tona após o lançamento da série O Testamento: O Segredo de Anita Harley, do Globoplay. O caso gerou dúvidas sobre o estado de saúde da bilionária, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e permanece em um quarto de hospital com segurança na porta. Felippe Saad, neurocirurgião e coordenador da neurocirurgia do Hospital Albert Sabin- HAS/SP, falou com a coluna GENTE sobre o que é o coma e quais são as chances de recuperação.
“Na verdade isso não chama se coma. Isso chama estado de consciência mínima, antigamente chamava de estado vegetativo. Hoje em dia tem nomes mais atuais. Coma é um termo que denomina alguma reversibilidade, que para esse tipo de paciente não é o caso. Alguém que já está assim há dez anos, já não é mais coma, por se tratar de uma alteração irreversível. A história de que alguém acordou do coma, isso, infelizmente, salvo raríssimas exceções, é impossível. Só acontece na novela da Globo. É como o caso do Michael Schumacher. A gente não vai ver ele por aí nunca mais. Teve uma lesão aguda do encéfalo, e depois as lesões se estabilizaram. Aí tem uma degeneração secundária do encéfalo e, consequentemente, a perda de uma série de fibras que inviabiliza à pessoa se manter acordada com as funções cognitivas. Não vai regenerar, não tem como, com o tempo, se regenerar. É um processo muito complexo de degeneração de uma série de fibras e circuitos que se perdem daqueles grupos neuronais.
Felippe Saad também lista quais seriam as complicações para tanto tempo de uma pessoa mantida sob aparelhos, como é o caso de Anita. “Já é um estado sequelar, isso por si só já é uma desgraça na vida da pessoa e da família, é um quadro dramático, muito ruim. A pessoa que está acamado, com pouca mobilidade, acaba perdendo massa muscular, protuberâncias ósseas, lesões cutâneas, o próprio trato gastrointestinal muda. A proteção de vias aéreas de via respiratória é diminuída… Há uma série de coisas aí que viram complicações a tipo de paciente”.