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A Autoridade Italiana da Concorrência (AGCM) anunciou nesta sexta-feira, 27, a abertura de uma investigação contra o grupo francês de luxo LVMH e duas de suas marcas, Sephora e Benefit Cosmetics. O foco é a suspeita de estímulo ao uso antecipado de cosméticos voltados ao público adulto por crianças e adolescentes — incluindo produtos antienvelhecimento.

Segundo comunicado oficial, a apuração envolve possíveis falhas ou omissões de informações relevantes tanto nas lojas físicas quanto nos canais online da Sephora. Em especial, a autoridade questiona a ausência ou insuficiência de alertas sobre o uso de produtos que não foram desenvolvidos ou testados para menores de idade, com destaque para linhas como Sephora Collection e Benefit Cosmetics.

Procuradas, as empresas informaram que não irão comentar o caso neste momento, mas reforçaram que estão colaborando integralmente com as autoridades italianas. Também reiteraram que seguem as normas vigentes no país.

Outro ponto sob análise é o uso de microinfluenciadores muito jovens nas estratégias de marketing. Para a AGCM, essa prática pode incentivar um público ainda mais vulnerável ao consumo impulsivo de cosméticos.

A investigação também levanta a hipótese de que produtos como máscaras faciais, séruns e cremes antienvelhecimento estejam sendo promovidos para consumidores cada vez mais jovens — incluindo pré-adolescentes de 10 a 12 anos —, o que pode trazer impactos não apenas financeiros, mas também à saúde.

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Nos últimos anos, diversas marcas passaram a investir nesse mercado emergente, criando linhas com apelo lúdico — embalagens com unicórnios, pandas e cachorros — e fórmulas mais suaves, como hidratantes, loções tônicas e produtos pós-sol, voltados ao público pré-adolescente.

Especialistas, no entanto, fazem ressalvas. A farmacêutica Laurence Coiffard, da Universidade de Nantes, já havia alertado no fim de 2025 que crianças não necessitam de cosméticos além de itens básicos de higiene e proteção solar. Segundo ela, muitos produtos destinados a adultos contêm substâncias que podem interferir no desenvolvimento hormonal ou aumentar o risco de alergias cutâneas.

A pesquisadora americana Molly Hales, da Universidade Northwestern, também chama atenção para o impacto cultural desse consumo precoce. Para ela, o uso desses produtos contribui para a construção de padrões de beleza que naturalizam rotinas estéticas complexas, caras e, muitas vezes, desnecessárias em idades tão jovens.

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Em um estudo conduzido ao lado de Sarah Rigali, Hales criou um perfil fictício de uma adolescente de 13 anos no TikTok. Ao longo de meses, observou que os conteúdos exibiam, em média, seis produtos por vídeo — frequentemente itens antienvelhecimento com preço médio de 145 euros (cerca de 875 reais).

Na quinta-feira, 26, lojas da Sephora e do grupo LVMH foram alvo de buscas na Itália. Caso sejam confirmadas irregularidades, as empresas podem enfrentar sanções significativas.

Com AFP



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