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O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou durante uma cúpula do G7 em Paris, nesta sexta-feira, 27, que os Estados Unidos esperam que a guerra contra o Irã termine em “semanas, não meses”, apesar da escalada da violência em toda a região e da ameaça de Israel, seu parceiro de bombardeios, de “intensificar” os ataques contra a República Islâmica.
“Quando terminarmos com eles aqui nas próximas semanas, eles estarão mais fracos do que estiveram na história recente”, declarou Rubio a jornalistas, após se reunir com os ministros das Relações Exteriores das sete maiores economias do mundo.
Este foi mais um dos sinais contraditórios que as autoridades americanas têm dado sobre a duração da ofensiva contra Teerã, iniciada com um ataque surpresa em 28 de fevereiro que matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Após a cúpula, os chanceleres do G7 publicaram uma nota conjunta pedindo o fim de ataques contra a “população e estruturas civis” no Oriente Médio, em meio a bombardeios que afetaram usinas elétricas, refinarias, portos, aeroportos e depósitos de combustível não apenas no Irã, mas nas nações árabes aliadas de Washington contra as quais a nação persa dirige suas retaliações. Segundo o Ministério das Finanças francês, entre 30% e 40% da capacidade de refino do Golfo Pérsico foi danificada ou destruída.
Os diplomatas afirmaram que “não pode haver qualquer justificativa para o ataque deliberado contra civis em situações de conflito armado, nem para os ataques contra instalações diplomáticas”. No comunicado, eles também ressaltaram a necessidade de reestabelecer a navegação livre e segura no Estreito de Ormuz, região diretamente afetada pela guerra.
Ormuz: tema central
Para o chanceler francês, Jean Noël Barrot, anfitrião do encontro, existe um consenso na comunidade internacional: a liberdade de navegação deve ser preservada mesmo em meio à guerra. “A possibilidade de viver em um mundo em que as águas internacionais estejam fechadas à navegação” está fora de cogitação, de acordo com o diplomata.
A jornalistas, Rubio afirmou que garantir a abertura do estreito provavelmente representaria um “desafio imediato”, mesmo após os Estados Unidos alcançarem seus objetivos militares no Irã. Ele disse que o regime dos aiatolás poderia tentar impor um pedágio naquela nesga oceânica de apenas 40 quilômetros de largura, o que, segundo ele, poderia causar prejuízos econômicos a muitos países.
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A reunião teve como tema principal o conflito no Oriente Médio e suas consequências econômicas. A paralisação do Estreito de Ormuz, rota marítima responsável pela passagem de cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos pelo planeta, também é um motivo de preocupação para os líderes. Desde o início do conflito, Teerã já atacou mais de uma dezena de navios que tentavam atravessar a região. A guerra entre Rússia e Ucrânia, que não teve trégua nesse meio tempo, também foi lembrada e discutida durante o encontro.
A França ocupa atualmente a presidência do Grupo dos Sete, que também inclui Alemanha, Canadá, Reino Unido, Estados Unidos, Itália e Japão. A cúpula disse, em um comunicado publicado no último sábado 21, que está pronta para ajudar na liberação do Estreito de Ormuz. “Manifestamos nosso apoio aos nossos parceiros na região diante dos ataques injustificáveis da República Islâmica do Irã e seus representantes”, afirmou o G7 na nota. Mas não deu detalhes sobre medidas concretas.