
Em estágio avançado de negociação, a delação do empresário Maurício Camisotti, um dos pivôs do esquema bilionário de fraudes no INSS, entrou na reta final de depoimentos e produção de provas na Polícia Federal. A expectativa de interlocutores da investigação é de que os depoimentos do empresário sejam homologados ainda em abril.
Camisotti foi transferido recentemente para a carceragem da Polícia Federal em São Paulo, para agilizar os procedimentos em torno da delação.
Além de implodir todo o esquema de tráfico de influência e pagamento de propinas de Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS — inclusive detalhando o sistema de cobrança e pagamento de propinas –, o empresário delatou crimes contra figuras importantes que integraram o primeiro escalão do governo Lula, servidores do INSS e parlamentares do Congresso.
Amiga de Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger também é citada nos depoimentos, por suas conexões com o submundo político a partir de negócios do Careca do INSS. A situação dela deve se agravar bastante nas investigações de corrupção e tráfico de influência.
Nos depoimentos de Camisotti, fica evidente que pelo menos um integrante do ministério de Lula sabia de toda a evolução das fraudes contra aposentados e nada fez para barrar os desvios.
O escândalo no INSS vitimou mais de cinco milhões de aposentados no país, desviando mais de 6 bilhões de reais das contas de aposentados. O esquema foi revelado ao país pela Polícia Federal em abril do ano passado.
A delação de Camisotti impacta o futuro do Careca do INSS por fechar a porta para futuros acordos de delação premiada, uma vez que toda a articulação política do esquema no governo Lula e em outras áreas da máquina pública já foi detalhada pelo empresário.